Delegados

Montenegro em lista que inclui apoiantes de Rui Rio

Montenegro em lista que inclui apoiantes de Rui Rio

Luís Montenegro vai liderar a lista de delegados ao congresso da Concelhia de Espinho. Uma lista que inclui apoiantes de Rui Rio, de quem foi adversário na luta pela liderança do partido, em janeiro de 2020.

Garantir uma intervenção no congresso (17 a 19 de dezembro) que vai consagrar o próximo candidato a primeiro-ministro e servirá como rampa de lançamento para a campanha das legislativas (30 de janeiro) explica o empenho de Luís Montenegro em integrar uma lista. Sem qualquer cargo no partido, só poderá participar se for eleito delegado.

A razão para Montenegro se ter envolvido na construção de uma lista de consenso, que inclui apoiantes de Rui Rio e de Paulo Rangel, tem outras explicações. Desde logo, porque quis "mostrar que a convivência é possível", segundo fonte próxima do ex-líder da bancada parlamentar do PSD (ao tempo da liderança de Passos Coelho). Um argumento em linha com o que o próprio afirmou em entrevista ao JN e à TSF, a 3 de outubro passado: "O PSD não pode transformar-se num partido tribal, em que há o nós e o eles".

Entre os principais elementos da campanha de Rui Rio, vê-se neste gesto um sinal de apaziguamento entre os dois ex-adversários, e uma demonstração de que, "ao contrário do que se diz, Rui Rio é capaz de juntar e agregar as várias sensibilidades do partido". Mas Luís Montenegro não pretende dar nenhum sinal de apoio a qualquer dos candidatos e deverá manter-se equidistante no que diz respeito à luta pela liderança.

Montenegro tem mantido o silêncio e assim deverá continuar até ao próximo sábado, dia das diretas. A exceção foi a já citada entrevista ao JN e à TSF, em que já dava sinais de que não pretendia afastar-se da política e prometia ter algum tipo de intervenção no processo de definição interna: "Vou contribuir, quanto mais não seja com ideias, para que o PSD possa sair reforçado, unido e coeso".

Poucos dias depois da entrevista, a situação política alterou-se. Com o chumbo do Orçamento do Estado e o anúncio de eleições antecipadas, o horizonte deixou de ser 2023. E passou a ser mais urgente uma mensagem de "pacificação e união de partido", segundo a mesma fonte.

Acresce que está em causa uma lista ao congresso, ou seja, um momento em que já estará escolhido o líder e candidato a primeiro-ministro. O palco ideal para sarar feridas e dar início à campanha eleitoral. Com o partido "unido e coeso" no apoio a um líder (Rio ou Rangel) e à sua estratégia.

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