Congresso do PSD

Montenegro, entre apupos e aplausos, diz que não se vai calar

Montenegro, entre apupos e aplausos, diz que não se vai calar

Luís Montenegro avisou que não se calará, após a contenda eleitoral com Rui Rio. No discurso mais longo da reunião magna do PSD, ex-líder parlamentar pediu mais debate, paz e liberdade dentro do partido.

Luís Montenegro lamentou a "demasiada crispação e agressividade verbal" no PSD, após as duas voltas das diretas para a liderança do partido. Por isso, defendeu que "o partido precisa de mais debate e respirar mais liberdade".

"Todos devemos exigir de nós próprios o que exigimos de nós. Não podemos exigir uma coisa e fazer outra. Há demasiada crispação e agressividade verbal. Há demasiado fanatismo. Aliás, até excessos cometidos por alguns", apontou, numa intervenção que chegou aos cerca de 17 minutos - apesar de cada delegado só pode falar durante cinco minutos.

"Darei o meu contributo, longe dos cargos partidários e públicos, mas sempre perto para ajudar o PSD. Perto desta grande força que está cá dentro", dizendo que o fará seguindo o "exemplo inspirador" de Francisco Sá Carneiro, na Assembleia Nacional em 1972.

"O que não posso é calar-me, porque não tenho esse direito, sobre que pretexto for", disse Luís Montenegro, este sábado aludindo a uma frase do histórico líder do PSD.

"O PSD precisa de unidade e paz. E precisa mesmo", disse, arrancando vários apupos junto à primeira fila, onde se encontra Rui Rio, depois de lembrar que grande parte da militância social-democrata não participou na disputa interna, que o opôs ao atual líder.

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O ex-líder parlamentar lembrou que só 30 mil militantes foram às urnas - quando o universo laranja é composto por "230 mil". E, de forma implícita, deixou a Rio um caderno de encargos de como deve fazer Oposição a Costa.

Após um almoço com apoiantes à margem do congresso, onde a afluência ultrapassou as expectativas, foi um Luís Montenegro com perfil de estadista e muito pouco de opositor interno ao longo da sua intervenção que se dirigiu à reunião magna social-democrata. ​​

Descolar da troika

"Portugal precisa de nós como Oposição e alternativa", apelou aos delegados, a quem, sob um silêncio sepulcral do congresso, disse logo no início falar em nome de delegado da sua secção, apesar de ter disputado uma eleição pela presidência - tendo agradecido aos "mais de 15 mil" votantes na sua candidatura.

Aliás, aludindo às regras que Rio aplicou à participação dos militantes nas diretas, Montenegro disse que o nível de participação esteve muito longe dos "230 mil".

O ex-líder parlamentar deixou ainda claro quais deverão ser as linhas orientadoras da oposição a fazer pelo partido nos próximos dois anos, afastando a imagem colada ao partido enquanto foi líder parlamentar durante o Governo de Passos Coelho.

"Não somos o partido da troika. Somos o partido chamado a resolver os problemas criados pelo PS. E se a geringonça ruir, o PSD não vai ser a tábua de salvação de António Costa", explicou.

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