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Montenegro: "Governar é ter a coragem de transformar e reformar"

Montenegro: "Governar é ter a coragem de transformar e reformar"

O presidente eleito do PSD defendeu, este domingo, no discurso de encerramento do 40.º congresso do partido, no Porto, que "governar, mais do que nunca, é ter a coragem de transformar e reformar" e acusou o PS de não ter feito ao longo dos últimos sete anos, atirando os portugueses para o empobrecimento.

"Infelizmente, os sete anos de empobrecimento, de aversão às transformações estruturais e de ligeireza governativa, atiram os portugueses para o epicentro dos mais atingidos pela crise", afirmou Luís Montenegro, no arranque do seu discurso, onde fez um forte elogio e "estímulo" ao presidente do CDS-PP, Nuno Melo, presente na sala e anunciou que o seu primeiro ato como presidente do PSD será estar na segunda-feira em Pedrógão junto das famílias, autarcas e bombeiros que há cinco anos foram afetadas pelos grandes incêndios de 2017.

Montenegro apontou à insensibilidade social com que o Governo está a encarar a crise que os portugueses estão a atravessar e defendeu a criação de um Programa de Emergência Social, sugerindo ao Governo "que aproveite o excedente criado pela repercussão da inflação na cobrança dos impostos e inclua medidas como um vale alimentar mensal às famílias de mais baixos rendimentos; a renovação de descidas ou suspensões na fiscalidade sobre os combustíveis; uma intervenção na fiscalidade e contribuições associadas ao consumo de eletricidade; apoios ao setor agrícola, pecuário e pescas".

Sete medidas prioritárias

Esta foi a primeira de sete medidas prioritárias que o presidente do PSD apontou no seu discurso, sendo a saúde a área em que voltou a criticar forte o Governo do PS, afirmando que é pela mão deste que "a saúde pública perde e a saúde privada ganha".

"O Governo é o grande responsável pela grave degradação do nosso SNS. Pela mão de um governo socialista, tudo se agravou: cada vez há mais portugueses sem médicos de família; muitos profissionais de saúde, em particular médicos e enfermeiros, saem para o setor privado ou para o estrangeiro; os serviços de urgência são obrigados a encerrar por falta de recursos humanos", afirmou.

As outras bandeiras são a redução da carga fiscal - em que disse que anunciará propostas já na discussão do próximo Orçamento de Estado e propôs uma taxa máxima de 15% do IRS para menores de 35 anos. -, políticas que retenham os jovens com discriminação positiva em sede de IRS e um programa nacional de atração, acolhimento e integração de imigrantes, para fazer face ao "crescente problema de falta de mão de obra" e ao problema estrutural do "definhamento demográfico"

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"Mas só atrairemos os melhores se impulsionarmos a nossa economia e os nossos salários e se tivermos políticas de integração atrativas. Olhemos para países como a Alemanha, o Canadá ou a Austrália e assumamos um programa nacional de recrutamento e integração que nos auxilie na sustentabilidade económica e social do país", disse, apontando também a necessidade de um programa de transição digital, energética e ambiental.

Em matéria de descentralização, disse que o processo "é um logro e a responsabilidade é exclusivamente do Governo" e manifestou-se desde já contra a realização de um referendo à regionalização em 2024, deixando o PS sozinho nessa intenção.

O ataque ao PS

Luís Montenegro atacou o facto de o PS se ter associado à sua Esquerda para poder governar e prometeu que nunca se associará "algum dia a qualquer política xenófoba ou racista."

"Quando é que nós nos associámos a partidos anti-nato, ou anti-UE, ou anti-euro, ou anti IPSS, ou anti misericórdias, ou anti setor privado da saúde, ou mais flagrante ainda, partidos pró-russos no contexto da guerra da Ucrânia? Nós nunca fizemos isso nem vamos fazer. Quem fez tudo isso foi o PS e António Costa", disse.

"Não governar a qualquer custo"

"Comigo e com o PSD, antes quebrar que torcer!!! Jamais abdicarei dos princípios da social-democracia e da essência do nosso programa eleitoral para governar a qualquer custo", garantiu.

"Não somos nem comunistas nem socialistas, porque a história nacional e internacional já provou, mesmo recentemente, que Estado a mais traz sempre ilusões efémeras e pobreza estrutural. A maior ironia das ideologias políticas é a confirmação absoluta de que os projetos comunistas e socialistas, que almejam o igualitarismo e o progressismo, desembocam sempre em crises sociais e económicas e muitas vezes em regimes autoritários e oligárquicos", afirmou.

"A nossa orientação é simples: o cidadão. A pessoa. O ser humano individualmente considerado e as suas aspirações pessoais, familiares, sociais, profissionais. Interessa-nos a liberdade de cada um escolher ser quem é e quem quer ser. A cultura de liberdade não está só no desenho das instituições. Ela está na definição das políticas públicas. Rejeitamos a escolha teleguiada que o socialismo gosta de, mais ou menos sub-repticiamente, impor às pessoas", afirmou, atirando ao Partido Socialista de António Costa "e dos seus delfins".

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