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Montenegro diz que referendo à regionalização é impossível até 2026

Montenegro diz que referendo à regionalização é impossível até 2026

Luís Montenegro, novo líder do PSD, reforçou, esta terça-feira, no âmbito de uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, os ataques ao cenário de referendo à regionalização em 2024, data prometida pelo Governo e aparentemente consensualizada com o presidente da República, e atirou esta consulta para depois de 2026. Ou seja, nunca nesta legislatura. Após o encontro em que o presidente quis esclarecer a posição do partido sobre aquela reforma administrativa, o líder do PSD aproveitou para deixar várias críticas.

"Sou completamente contra a realização de um referendo em 2024", destacou Montenegro à saída da audiência, recordando os vários atos eleitorais previstos entre aquele ano e 2026.

A seu ver, "não haverá oportunidade para referendo até 2026". Isto porque, não havendo consulta dentro de dois anos, também "não é em 2025 com autárquicas ou em 2026 com presidenciais e legislativas que a oportunidade se vai abrir".

Além disso, explicou que o PSD prefere dar resposta ao aumento do custo de vida e aos problemas no SNS.

Entre os motivos para recusar um referendo em 2024, apontou também as consequências da subida da taxa de inflação e dos efeitos da guerra na Ucrânia.

O Governo foi ainda acusado pelo novo líder do PSD de desenvolver um processo de descentralização "turbulento e que não tem tido resultados efetivos".

"Desinvestimento" no aeroporto de Lisboa

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"Um Governo que, em três anos, não foi capaz sequer de tratar das competências essenciais, numa matéria sem grandes divergências parlamentares e em acordo com o PSD, não se pode abalançar de colocar ao país essa questão", avisou Montenegro. Do mesmo modo, acusou o Executivo socialista de "desinvestimento nos últimos anos" no aeroporto de Lisboa, a propósito dos sucessivos cancelamentos de voos.

Já no domingo, no congresso do PSD, o novo líder do PSD afirmou que o processo de descentralização é um "logro" e avisou o PS que não tem o "aval" e a "cobertura" do PSD para fazer um referendo à regionalização em 2024. Agora, os avisos foram deixados no âmbito de uma audiência em Belém.

"Fazer um referendo neste quadro crítico e delicado seria uma irresponsabilidade, uma precipitação e um erro. Os portugueses não compreenderiam. Tenhamos as noções das prioridades". Este foi o alerta já deixado por Montenegro, que garantiu não dar aval àquela solução.

Após chegar do Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu às 17 horas o líder do PSD e uma das expectativas do presidente da República era precisamente que Luís Montenegro esclarecesse a posição do partido sobre a regionalização.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha prometido, no domingo, receber Luís Montenegro logo que o sucessor de Rui Rio na liderança do PSD solicitasse uma audiência.

Desconhece críticas a Marcelo

O líder do PSD referiu ainda querer "estreitar o relacionamento institucional e a cooperação" com o chefe de Estado, dizendo desconhecer críticas do seu partido a Marcelo.

"Não sei a que se refere quando diz que o PSD é muito crítico, não conheço nenhuma posição do PSD nesse domínio, nem com a anterior liderança, nem o contexto das relações. O que posso assegurar é que a liderança do PSD tem um respeito institucional pelo presidente da República absoluto e que está predisposta, em colaboração, a poder estreitar o relacionamento institucional e a cooperação com o mais alto magistrado da nação", garantiu aos jornalistas.

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