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Montenegro quer que Santos Silva convença deputados a aceitar vice do Chega

Montenegro quer que Santos Silva convença deputados a aceitar vice do Chega

O líder do PSD desafiou, esta segunda-feira, o presidente da Assembleia da República (AR) a convencer os deputados a elegerem um membro do Chega e outro da IL como vice-presidentes do Parlamento. Luís Montenegro negou estar a fazer "aproximações políticas" a esses partidos mas recusou responder se, no futuro, aceitará governar com o partido de André Ventura: "Essa questão não tem nenhum tipo de interesse neste momento", frisou.

Na sede nacional do PSD, em Lisboa, Montenegro lamentou que, na última quinta-feira, alguns deputados do PSD tenham contrariado as orientações da direção, não votando a favor do deputado que o Chega queria tornar vice-presidente da AR. Apesar de ter ouvido críticas vindas do seu próprio partido, voltou a insistir no tema.

"Há uma pessoa que tem a responsabilidade de dar uma solução a isto, e essa pessoa é o presidente da AR", considerou Montenegro. O líder social-democrata argumentou que o facto de nem Chega nem IL terem conseguido eleger vices constitui uma "situação anómala" que tem de ser "encerrada".

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Nesse sentido, dirigiu-se a Santos Silva para, "de forma muito serena e tranquila mas, também, direta", lhe deixar um desafio: "Olhando para a vontade livre e democrática expressa pelos portugueses nas últimas legislativas, aja em conformidade, use o seu magistério de influência parlamentar para que todos os outros 229 colegas do sr. presidente da AR possam respeitar essa regra básica".

Montenegro disse ter ficado "atónito" com as críticas de que foi alvo por ter pedido aos seus deputados que viabilizassem a eleição de Rui Paulo Sousa, proposto pelo Chega para vice do Parlamento. "Esse vice-presidente cabe, por aquilo que são as regras da democracia, à terceira e à quarta forças políticas com mais representação parlamentar, que no caso são o Chega e a IL", referiu.

Montenegro garantiu, contudo, que este apelo "não tem nada a ver com aproximações políticas". E recordou: "O BE e o PCP já tiveram vices da AR com o meu voto. Portanto, estou muito à vontade".

Questionado sobre se, no futuro, o PSD aceitará governar com o apoio do Chega, o líder laranja evitou responder por duas vezes. Primeiro, frisou que "essa questão não tem nenhum tipo de atualidade. Nenhum". Perante a insistência dos jornalistas, afirmou que esse tema "não tem nenhum tipo de interesse neste momento".

O deputado do Chega - o terceiro que o partido tentou eleger para vice - só conseguiu 64 votos quando precisava de, pelo menos, 116. Tendo em conta que o PSD tem 77 deputados, e partindo do princípio que os 12 do Chega votaram no candidato do partido, deverá ter havido mais de 20 parlamentares do PSD a desrespeitar a orientação de Montenegro (só votaram 213 dos 230 deputados do Parlamento).

No início da legislatura, também o candidato da IL (o líder, João Cotrim Figueiredo) falhou a eleição (teve 108 votos), tendo o partido optado por não levar mais nenhum nome a escrutínio. Ao longo dos anos, já houve cerca de 50 eleições falhadas para a Mesa da AR. Entre 1995 e 1998, este organismo funcionou com um vice-presidente a menos.

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