Plano de recuperação

Moreira pede prudência a Costa Silva e diz que "faneca é muito grande"

Moreira pede prudência a Costa Silva e diz que "faneca é muito grande"

Rui Moreira deixou esta quinta-feira vários alertas a propósito do plano de recuperação económica apresentado por António Costa Silva e encomendado pelo Governo, pedindo "prudência" quando "estão a pôr-nos à frente dos olhos uma faneca pendurada que é muito grande". O presidente da Câmara do Porto disse mesmo lembrar-se de "um certo animal" que corre atrás da cenoura.

Num debate em que ambos participaram, Moreira referiu-se à "bazuca" de fundos da União Europeia para Portugal como "momento único" e "provavelmente irreplicável" para resolver os problemas que têm sido adiados e mudar o país, após alertar para o risco de "convulsões sociais". Além disso, avisou também que "não há projetos luminosos", nem se pode "prometer o eldorado".

O Palácio da Bolsa, no Porto, foi palco do arranque de um ciclo de conferências sobre como "Levar Portugal a Bom Porto", com António Costa Silva como orador, numa iniciativa da SEDES -Associação para o Desenvolvimento Económico e Social. Antes deste consultor do Governo apresentar a sua visão estratégica para o plano de recuperação económica do país, o autarca fez uma longa intervenção, carregada de metáforas.

"Senhor professor, aprecio muito o trabalho que fez e, independentemente de concordar com coisas e não concordar com outras, há uma coisa que temo", disse Moreira, dirigindo-se a António Costa Silva.

"Estão a pôr-nos à frente dos olhos uma faneca pendurada que é muito grande. Quando me colocam uma faneca muito grande para eu ir a correr atrás dela lembro-me sempre de um certo animal que vai atrás de um túbaro que por acaso se chama cenoura. E, portanto, para acabar diria: por favor, naquilo que seja feito doravante, tenhamos a prudência de não nos deixar encantar pela miragem porque a miragem pode nos levar exatamente ao sítio mais profundo do deserto".

Pelo contrário, o presidente da Câmara refere que, "se formos capazes de congregar vontades e pensar estrategicamente no país talvez possamos perceber por que até agora não fomos capazes de ter as taxas de crescimento que devíamos ter e perceber que questões como boas condições de trabalho, um estado social forte, tudo aquilo que nós queremos (...) é o ponto de chegada mas não é infelizmente nem tática nem estratégia".

"Se confundirmos o ponto de chegada com o ponto em que estamos, dentro de cinco ou seis anos, vamos estar sentados" no mesmo lugar e teremos "mais uma vez" perdido a oportunidade, rematou Rui Moreira.

Outras Notícias