Braga

Morreu defensora da "morte digna"

Morreu defensora da "morte digna"

Laura Ferreira dos Santos, a professora universitária, fundadora do movimento "Direito de Morrer com Dignidade" faleceu. O funeral está marcado para as 14.30 horas de sábado, na igreja de S. Vítor, em Braga.

Com cancro desde 2001, aquela docente de filosofia tornou-se o rosto da luta pela eutanásia em Portugal. A morte de Laura, de 57 anos, foi comunicada aos amigos pelo marido, via SMS.

Numa entrevista publicada na revista "Visão", em fevereiro, Laura Ferreira dos Santos, confessou estar "entre a espada e a parede", afirmando querer morrer em casa. Nos últimos tempos, o estado de saúde agudizou-se e os amigos relatam as "dores imensas" que sentia.

Na mesma entrevista referiu ter acesso "a um produto letal", saber onde arranjar o produto e equacionar usá-lo. Aos amigos mais próximos pedia, "muitas vezes" que não a deixassem "morrer aos bocadinhos". Contudo, praticar a eutanásia era algo que a entristecia.

"Sei como fazer mas entristece-me muito que tenha que morrer sozinha e na clandestinidade para não incriminar ninguém", referiu. Autora de vários livros e defensora acérrima da "morte digna", nos últimos anos, lidou com a morte da mãe e do irmão, enquanto tratava um cancro da mama, uma recidiva e, desde 2011, com metáteses ósseas que lhe provocavam muitas dores.

"Os medicamentos para as dores deixavam-na muito doente e muito prostrada", disse ao JN um amigo de Laura Ferreira dos Santos.