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Mortágua diz que novo imposto afeta "1% da população"

Mortágua diz que novo imposto afeta "1% da população"

Mariana Mortágua diz que caso o novo imposto se venha a aplicar a património acima de 500 mil euros, irá abranger 43 mil contribuintes. Caso o teto seja fixado em um milhão, serão afetadas oito mil pessoas.

O PCP considera que a possibilidade de haver um novo imposto sobre bens imobiliários de luxo foi completamente "bombardeada", após o Bloco de Esquerda ter tomado a dianteira na revelação do novo IMI em estudo para o Orçamento do Estado para 2017. Para o líder parlamentar comunista João Oliveira, a polémica espoletada pela deputada Mariana Mortágua acabou por dar uma "belíssima oportunidade" ao PSD e ao CDS para "fazerem fogo sobre uma boa ideia".

Apesar de estar do lado do Governo, o PCP é crítico deste processo e acusa o BE de não ter aguardado que o anúncio do alegado imposto sobre o imobiliário de luxo fosse feito pelo ministro das Finanças, na entrega da proposta orçamental, a 15 de outubro. Ao JN, João Oliveira garantiu que não se esperem do PCP semelhantes anúncios.

"Da nossa parte, não damos por concluídos projetos que ainda não tenham definidos os seus aspetos mais fulcrais. E, sobretudo, não podemos acompanhar aquilo que aconteceu na semana passada, e que de resto deu ao PSD e ao CDS esta belíssima oportunidade de fazerem fogo sobre uma boa ideia, que poderia dar origem a uma excelente medida", apontou ao JN, na véspera do primeiro debate quinzenal com o primeiro-ministro da nova sessão legislativa, onde se prevê que a Direita venha a cavalgar esta polémica.

Para João Oliveira, a taxação dos bens imóveis de luxo está "neste momento, completamente bombardeada pela especulação e pela deturpação". "Transformou-se até numa ameaça para quem nunca teve sequer oportunidade de pagar esse imposto. A questão que se coloca é tratar essas matérias e assumir as conclusões quando o processo está mesmo concluído".

Já há uma semana, o PCP tinha mostrado desconforto com o assunto, revelando que também estava a negociar com o PS um imposto sobre bens móveis e imóveis.

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Quarta-feira, depois de várias figuras socialistas de peso terem vincado que os anúncios de matéria fiscal cabem apenas ao Executivo, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, garantiu que as palavras de Mortágua foram concertadas com o Governo. À noite, a deputada foi à TVI garantir que as suas declarações foram "decididas" com o Governo, a quem cabe o "detalhe" da medida. E acusou a Direita de "aproveitamento" e de estar a "criar um ambiente de medo". "Estamos a falar de 1% da população, os mais ricos", disse, revelando que, caso o imposto se venha a aplicar a património acima de 500 mil euros, irá abranger 43 mil contribuintes. Caso o teto seja fixado em um milhão, serão afetadas oito mil pessoas.

Certo é que a Direita irá hoje confrontar António Costa com o tema. Ao JN, Hugo Soares, vice-presidente da bancada do PSD, disse que Costa terá "oportunidade de explicar os desmentidos do Governo e os contra desmentidos por parte dos partidos que o apoiam".

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