INSA

Mortalidade acima do esperado em setembro

Mortalidade acima do esperado em setembro

A mortalidade esteve "sistematicamente acima do esperado" em setembro. A conclusão é do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, defendendo que a situação tem que ser averiguada.

No início do mês, foi o Instituto Nacional de Estatística a alertar para o facto de que, desde o início da pandemia, morreram mais 7.144 pessoas acima da média de igual período nos últimos cinco anos.

Agora, é o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) a chamar a atenção para o que se passou em setembro, mês em que a mortalidade nas diferentes regiões de Portugal Continental e na Região Autónoma dos Açores se manteve "sistematicamente acima" do que seria expectável.

Num relatório, efetuado pelo Departamento de Epidemiologia, o INSA apurou que o excesso de mortalidade verificou-se sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 216 óbitos, e no grupo etário entre os 75 e os 84 anos, com 217 óbitos.

O relatório, de análise mensal, revelou que, em quase todas as semanas, em todas as regiões (menos na Madeira), a mortalidade em setembro esteve sempre acima do esperado, tendo em conta o histórico dos últimos anos, mas foi nos Açores que "esse padrão anómalo foi mais evidente".

É que, embora não se tenha registado uma única vítima mortal de covid-19, nas duas primeiras semanas de setembro, a mortalidade nos Açores foi o dobro da esperada para esta época do ano.

Segundo o relatório do INSA, a mortalidade anómala em setembro "obriga a investigar se existe ou não uma relação direta com a pandemia de covid-19". "Este padrão não foi observado em anos anteriores, pelo que se considera necessário averiguar se poderá estar relacionado de forma direta (consequência da gravidade da doença em indivíduos mais fragilizados) ou indireta (alteração do padrão de cuidados de saúde ou adoção de comportamentos de risco) com a pandemia de covid-19", conclui o Instituto.

Refira-se que até porque, até agora, os especialistas do INSA ligavam os momentos de excesso de mortalidade, que outros especialistas associavam ao impacto direto e indireto da covid-19, nomeadamente no acompanhamento de outras doenças, a vários períodos de calor extremo que existiram em 2020. Agora, para setembro, há uma conclusão diferente e o calor deixou de explicar quase tudo. É que, nesse mês não se verificou ondas de calor excessivas.

Outras Notícias