Relatório

Mortes por overdose aumentaram 21% em 2015

Mortes por overdose aumentaram 21% em 2015

Quarenta pessoas morreram por overdose em Portugal em 2015, o segundo ano em que ocorreu um aumento consecutivo deste tipo de mortalidade, segundo dados de um relatório nacional.

O documento sobre a situação em matéria de drogas e toxicodependência relativa a 2015 refere que houve, em 2015, 181 óbitos com a presença de droga no organismo, de acordo com os registos específicos de mortalidade do Instituto Nacional de Medicina Legal.

Dessas 181 mortes, 40 foram consideradas overdoses, o que representa 22% do total desse tipo de mortalidade.

"Pelo segundo ano consecutivo se constata um aumento no número de overdoses (mais 21% face a 2014), apesar de os valores dos últimos cinco anos se manterem aquém dos registados entre 2008 e 2010", refere o relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Em 90% dos casos, foram encontradas mais do que uma substância. Nestas overdoses, destaca-se a presença de opiáceos em mais de metade dos casos, seguindo-se a canábis (30% das situações), a cocaína (28%) e a metadona (25%).

O relatório salienta contudo que na grande maioria das overdoses foram detetadas mais do que uma substância, destacando a associação entre as drogas ilícitas e a presença de benzodiazepinas (ansiolíticos hipnóticos) e de álcool.

Sobre os restantes 141 casos de mortes com presença de droga no organismo e que não foram overdoses, o documento diz que foram sobretudo acidentes (36%), seguindo-se a morte natural (33%), suicídio (20%) e homicídio (6%).

Novos utentes em tratamento devem-se ao consumo de canábis

O sumário executivo do relatório do SICAD apresenta ainda os dados dos tratamentos da toxicodependência em 2015, dando conta de que se submeteram a cuidados 26993 pessoas.

Dos que iniciaram tratamento nesse ano, 1365 eram utentes readmitidos e pouco mais de 2000 eram novos utentes, ou seja, que recorreram pela primeira vez a estruturas de tratamento da rede pública.

O SICAD refere que em 2015 foi reforçada a tendência de decréscimo do número de utentes em ambulatório por problemas de consumo de drogas, o que se verifica desde 2009.

Quanto ao tipo de consumos, a heroína continua a ser a droga mais referida pelos utentes com problemas relacionados com uso de drogas, com exceção dos novos utentes em ambulatório, em que é a canábis a principal.

De um modo geral, nos últimos cinco anos há uma tendência de aumento nas proporções de utentes que referem a canábis e a cocaína como drogas principais.

A droga injetada e a partilha de material continuam em queda nos últimos anos, mas ainda há "bolsas de utentes" com prevalências elevadas destas práticas.

O SICAD constata, sobretudo nos últimos seis anos, uma maior heterogeneidade nas idades dos utentes que iniciam tratamento em ambulatório, com um grupo mais jovem de novos utentes e, por outro lado, um cada vez mais envelhecido de readmitidos.

"Torna-se essencial reforçar a diversificação das respostas e continuar a apostar nas intervenções preventivas de comportamentos de consumo de risco".

Mais de 10300 processos por consumo de drogas

No total, em 2015 foram instaurados 10380 processos de contraordenação por consumo de drogas, o que representou um acréscimo de 15% face a 2014 e se constituiu como o valor mais elevado de 2001.

Quanto às apreensões de droga, registou-se em 2015 um aumento das várias substâncias, sendo o haxixe a droga que mais apreensões motivou (4180).

Entre as apreensões segue-se a cocaína (1081) e a canábis herbácea (791), que pelo segundo ano consecutivo superou as apreensões de heroína (763).

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