Remodelação

Mudanças de Costa surpreendem os próprios socialistas

Mudanças de Costa surpreendem os próprios socialistas

Alguns secretários de Estado tinham má relação com ministros. Marta Temido exigiu saída de Jamila Madeira.

Em plena pandemia, António Costa decidiu mudar cinco secretários de Estado. Apesar de ter dito, em março, que "no meio da batalha não se mudam os generais", a propósito dos ataques à diretora-geral da Saúde, é agora o primeiro-ministro a remodelar a equipa, desde logo no Ministério que está a travar a guerra contra a covid-19. A saída de Jamila Madeira, que deixa de ser secretária de Estado Adjunta e da Saúde, é apontada como "surpreendente" mesmo entre socialistas, que indicaram ao JN que foi Marta Temido quem fez questão de a excluir.

O outro lado da moeda desta exigência é a promoção de António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, que teve muitas vezes o protagonismo nas conferências de imprensa sobre a pandemia. Para o seu lugar entra Diogo Serras Lopes, vice do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde.

Esta remodelação, que afetou os ministérios da Saúde, da Educação, das Infraestruturas e Habitação e Mar, tem como pretexto a saída de José Apolinário de secretário de Estado das Pescas para concorrer a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. Entra Teresa Coelho, licenciada em Direito com experiência no setor das pescas.

Mais surpresas

O presidente da República dá, esta quinta-feira à tarde, posse aos secretários de Estado, em Belém, num dia de reunião semanal com Costa, de quem espera explicações sobre o apoio a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.

Também foi com surpresa que no próprio PS tomaram conhecimento de que Ana Pinho deixa a Habitação. Até porque Costa apostou quer na criação desta secretaria de Estado, quer na ex-consultora da Câmara de Lisboa para esta missão. "É estranho porque esteve na conceção da nova geração de políticas de habitação", disse um socialista ao JN. Ana Pinho assumiu esta pasta em 2017, primeiro no Ministério do Ambiente.

A saída inesperada leva alguns socialistas a considerar que poderá tratar-se também neste caso de má relação com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

Também indicam que o ministro teria má relação com Alberto Souto de Miranda, secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, mas esta saída é explicada pelo facto de trocar o Governo pelo Banco de Fomento. Na equipa de Pedro Nuno Santos, Ana Pinho e Alberto Souto de Miranda são substituídos, respetivamente, por Marina Gonçalves e Hugo Santos Mendes.

Ministro quer assessores

O ministro apostou agora nos colaboradores mais próximos. Hugo Mendes é seu chefe de gabinete e também Marina Gonçalves, vice-presidente da bancada do PS, fez parte da sua equipa de assessores quando era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, no tempo da "geringonça".

Quanto a Susana Amador, fonte do partido disse ao JN que deixa as funções de secretária de Estado da Educação por razões familiares, sendo substituída pela jurista Inês Ramires.

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