Ensino superior

Muitos dos universitários que não se matriculam vão estudar para o estrangeiro

Muitos dos universitários que não se matriculam vão estudar para o estrangeiro

Das vagas colocadas a concurso na 2.ª fase, quase cinco mil foram de alunos que não se inscreveram.

Para uma só pergunta, múltiplas respostas. O que leva 4952 estudantes que conseguiram um lugar na 1.ª fase do concurso de acesso ao Ensino Superior - muitos deles em cursos com médias acima de 19 valores - a não se matricularem? Há os que concorreram, mas já estavam inscritos no estrangeiro. Os que optaram antes pelo privado. Os que não entraram na 1.ª opção e vão tentar a sorte na 2.ª fase. Certo é que, tendo em conta que o número de colocados este ano subiu 15%, a proporção dos que não se matricularam baixou 1,3 pontos percentuais para os 9,7%.

Partindo de casos concretos. Começando pelo Instituto Superior Técnico, que, mais uma vez, fechou a 1.ª fase com quatro cursos no top 10 de classificações mais altas. Com Engenharia Aeroespacial à cabeça, com o último de 120 colocados a entrar com uns estonteantes 19,13 valores. Ora, os dados agora revelados pela Direção-Geral do Ensino Superior mostram que cinco alunos acabaram por não se matricular. De todas as vagas preenchidas na 1.ª fase, o Técnico libertou agora 45. Todas por alunos que não se matricularam.

Porquê? Porque, explica ao JN o vice-presidente Alexandre Francisco, sendo os alunos que se candidatam ao IST de "elevada excelência", muitos estão "já no estrangeiro quando se candidatam". Mesmo assim, frisa, "o número de alunos que tendo sido colocados no IST não se matricularam tem vindo a decrescer nos últimos anos".

Depois, temos a tão disputada Medicina, com quatro vagas agora a concurso. Ora, na Faculdade de Medicina do Porto - onde o último colocado entrou com 18,85 valores -, houve dois alunos que não se matricularam. Ao JN, fonte oficial da instituição desmontou os casos. Um aluno que tinha concorrido por via do regime geral de acesso, mas também pelos contingentes especiais (que podem ser, por exemplo, vagas para atletas de alta competição), optando pela outra faculdade onde entrou. O segundo caso, um estudante da Madeira que optou por esperar mais um ano para entrar no mundo académico.

PUB

NA FEP, onde a tendência é decrescente, há quem opte por ficar no privado

Ponto prévio, sublinha o vice-diretor da Faculdade de Economia do Porto: a não matrícula de colocados acontece todo os anos e a tendência é decrescente. Nesta 1.ª fase, e depois de ocuparem todas as vagas de Economia e Gestão, houve, respetivamente, nove (em 246, com média de 17,8 valores) e 17 (em 191, nos 18,5 valores) que não se matricularam. Aos que vão para o estrangeiro, Miguel Sousa soma os que estando já inscritos no privado, muitos com aulas a correr, optam por "não anular o investimento feito". Em particular, rumam "à Católica, que tem também bolsas para alunos" de médias elevadas. Há ainda casos de mudança de curso.

Outras Notícias