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Multidão no Porto exultou com Rio a dizer que "o PS merece perder"

Multidão no Porto exultou com Rio a dizer que "o PS merece perder"

Rui Rio recebeu, no Porto, um banho de multidão à passagem da caravana do PSD pela Rua de Santa Catarina. A tradicional arruada cumprida esta quinta-feira de tarde juntou milhares de pessoas que não pararam de cantar que "o Porto é laranja" e jubilaram quando o candidato a primeiro-ministro afirmou que "o PS merece perder". Rangel, Menezes e Aguiar-Branco apareceram. Primeiro Rio fintou-os, mas depois agradeceu a presença.

Depois de três dias mornos de campanha, a caravana do PSD foi recebida em grande festa, no Porto, com a maior moldura humana da campanha laranja até ao momento. Em casa, Rui Rio quer fazer história ao ser o único primeiro-ministro em tempo de República depois de ser presidente da Câmara do Porto. "Centro e treze anos depois, um antigo presidente da Câmara do Porto pode chegar novamente a primeiro-ministro do país com a vossa ajuda e com o vosso voto", começou por dizer.

Ladeado por Paulo Rangel, Luís Filipe Menezes e José Pedro Aguiar-Branco, o líder do PSD falou de uma varanda enquanto a multidão vibrava. Cedo apontou a mira ao PS que "optou por fazer uma campanha que em vez de dar as suas ideias tratava de deturpar". Segundo Rio, o PS inventou que o PSD quer privatizar a Segurança Social, o Serviço Nacional de Saúde, impedir aumentos do salário mínimo e aproximar-se da Extrema-Direita. "Fez uma campanha na base da mentira, merece perder", acusou, perante os apoiantes em festa.

Umas horas antes, Rui Rio tinha arrefecido a confiança na vitória dizendo que tem humildade "para ganhar e para perder", mas muitos dos que ali estavam pareciam ter a certeza que o PSD vai vencer a 30 de janeiro. Cantou-se "vitória", que "já só faltam três dias para a vitória" e "é canja, o Porto é laranja".

PSD deixa passar Iniciativa Liberal

Uma das imagens da tarde foi o cruzamento da caravana do PSD com a da Iniciativa Liberal. Claramente em maior número, os apoiantes sociais-democratas que esperavam por Rui Rio abriram caminho e formaram um corredor para que os liberais passassem pelo meio.

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Foi uma atitude cordial e sem momentos tensos, mas nenhuma das caravanas deixou de gritar bem alto o nome do partido que apoiavam. O som estremeceu a Rua de Santa Catarina, deixou os alarmes das lojas a tocar e João Cotrim de Figueiredo avançou, com um sorriso no rosto, depois de abraçar Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD.

Nesse momento os apoiantes sociais-democratas ainda esperavam por Rui Rio. Luís Filipe Menezes dizia que "as disputas são dentro de portas", manifestando confiança de que "o PSD vai ganhar as eleições porventura com uma folga superior àquilo que as sondagens dizem". Entretanto chegou Paulo Rangel que corroborou, afirmando que "talvez o PSD vá ganhar com mais vantagem do que aquilo que muita gente supõe". Também lá andou Aguiar-Branco, que disse estar presente a apoiar Rio "em nome do interesse nacional".

Rio fintou, mas agradeceu

A confusão na Rua de Santa Catarina foi tanta que Rui Rio chegou por um lado diferente daquele em que todos o esperavam. Sem esperar pelos "barões" e milhares de apoiantes que ali estavam para o apoiar, a caravana seguiu caminho e deixou muita gente para trás. Mais tarde, à varanda, todos se juntaram e o líder do PSD agradeceu aos três apoiantes, outrora descontentes com a liderança de Rio, mas agora fervorosos defensores de uma mudança para a social-democracia que sempre desejaram ver a comandar Portugal.

É certo que foi um juízo em causa própria, mas Rui Rio também agradeceu aos milhares de portuenses (e não só) que estiveram presentes: "É uma moldura humana como eu não me lembro de ver em eleições. Talvez já tenha havido, mas eu não me lembro, sinceramente, de tantas pessoas aqui na Rua de Santa Catarina".

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