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Música, confetis e uma aparição falhada de negacionistas na última arruada do PS

Música, confetis e uma aparição falhada de negacionistas na última arruada do PS

A última arruada da campanha socialista terminou em festa, ainda que a vitória seja incerta. O tom dominante da tradicional descida do Chiado, em Lisboa, foi de confiança, aliada a uma última tentativa de colar o PSD ao Chega. Um grupo de negacionistas tentou, sem sucesso, aproximar-se de Costa.

Embora a ação de campanha tenha decorrido de forma ordeira - pese alguns momentos de aperto, devido ao aparato mediático e à quantidade de pessoas que queriam cumprimentar António Costa -, foi também marcada por algumas peripécias. A primeira ocorreu logo ao início quando, de uma janela, um apoiante do Chega exibiu um cachecol do partido. A caravana socialista reagiu à provocação com gritos de "Fascismo nunca mais".

O desfile prosseguiu, com uma banda de instrumentos de sopro e percussão a abrir caminho ao som de músicas como "Cheira bem, cheira a Lisboa" ou "Mestre da Culinária" de Quim Barreiros. A Juventude Socialista (JS) puxava palavras de ordem e, de tempos a tempos, largavam-se confetis à passagem de Costa, que esteve acompanhado de figuras como Mariana Vieira da Silva, Pedro Siza Vieira, Fernando Medina, Duarte Cordeiro ou Edite Estrela.

Mas, a meio da Rua Garrett, uma bandeira laranja destoava dos tons vermelhos do PS e amarelos da JS. Nova provocação? Parece que não: "Não sabia que agora vinha o PS, pensava que já era o meu partido", explicou ao JN a mulher que ali está acompanhada da neta, referindo-se à arruada que o PSD ali faria horas depois. E não tem medo de exibir a bandeira social-democrata? "Não. Vivemos numa democracia".

Houve gritos de vitória, mas foram tímidos

A verdade é que, assim que termina a resposta, a mulher vê um homem aproximar-se. "Já tem idade para ter vergonha na cara", atira-lhe este apoiante socialista. Mas, logo depois, recebe duas abordagens mais amigáveis, de gente que quer oferecer-lhe uma bandeira do PS. "Se me oferecer essa rosa, aceito", responde a apoiante laranja, apontando para as flores empunhadas por esses apoiantes socialistas. Um deles acede. Cumprimentam-se, vence a democracia.

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Menos cordial foi o surgimento-relâmpago de alguns membros do ADN, o partido negacionista surgido a partir das cinzas do PDR, a antiga força fundada por Marinho e Pinto. "Liberdade sim, ditadura não!", berra, até à exaustão, uma mulher de megafone em riste. O objetivo parece ser provocar um episódio mediático; os alarmes da comitiva socialista soam e, apesar de alguns sobressaltos, a caravana consegue virar para a Rua do Carmo sem problemas de maior.

Mais uns metros, novo acontecimento: "A verdadeira notícia está ali em cima!", grita aos jornalistas uma jovem mulher, surgida como um relâmpago e que, logo depois, desaparece na multidão. Seguimos a sugestão e erguemos o olhar: na passagem pedonal que liga o elevador de Santa Justa ao Carmo, e que cruza os telhados daquela rua, alguns manifestantes exibiam uma faixa onde se lia: "Não às minas, sim à vida". Se Costa leu, não se manifestou.

Até ao final, com ponto marcado para o Rossio, a caravana do PS foi prosseguindo, acompanhada de gritos ocasionais de "Costa, amigo, Lisboa está contigo" ou "Lisboa vai votar e o PS vai ganhar. Algumas pessoas ensaiavam um "vitória, vitória!" - que, até aqui, apenas se tinha ouvido na última arruada, no Porto. No entanto, talvez por o triunfo socialista ser incerto, essa palavra de ordem esmoreceu rapidamente.

No final, num palanque improvisado, o secretário-geral do PS discursou por dois minutos. Como mensagens-chave, escolheu o apelo ao voto e a tentativa de colar o PSD ao Chega: "O voto no PS é o único, o único mesmo que, em circunstância alguma, dependerá, no que quer que seja, do apoio, da passividade ou da cumplicidade da extrema-direita", atirou Costa. Será suficiente para convencer os indecisos?

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