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Na despedida, André Silva pediu que PAN não ceda ao "sistema"

Na despedida, André Silva pediu que PAN não ceda ao "sistema"

O Congresso do PAN, que arrancou este sábado, marca a saída de André Silva da liderança do partido. No discurso de despedida, o agora ex-dirigente pediu que o PAN "não se deixe acantonar à Esquerda ou à Direita". Disse que sai por acreditar na rotação de mandatos e atirou: "o PAN faz falta ao país!". No fim, foi aplaudido de pé.

Em Tomar, onde decorre o Congresso, André Silva recordou várias lutas do PAN desde que, em 2015, entrou no Parlamento. Aludindo a temáticas como a taxa de carbono sobre a aviação, as causas LGBT ou a luta contra a corrupção, ironizou: "Onde estão as vozes que diziam que só nos preocupávamos com os animais? Estão silenciadas, porque a nossa obra fala mais alto".

O até aqui porta-voz do PAN deixou o seu "profundo agradecimento" ao partido. "Chegou a hora de mudar de vida, não só para aproveitar em pleno tudo aquilo de que abdiquei a nível pessoal nestes anos mas, também, porque sou um convicto defensor do princípio da limitação de mandatos", afirmou.

Classificando o PSD como "apático" e os partidos à Esquerda do PS como "colaboracionistas", André Silva deixou um conselho para o futuro: "É importante que o PAN mantenha uma atitude que, sendo construtiva, não se deixa acantonar à Esquerda ou à Direita, e não renuncia à sua autonomia para agradar a pretensos patrões políticos".

Um partido "assumidamente feminista"

O líder cessante insistiu que o PAN não se pode "transformar num partido do sistema" e pediu que este "não se institucionalize". Numa palavra, que continue a "construir pontes" mas "não corrompa as suas linhas programáticas adoçando-as".

Apesar dos avisos, André Silva disse acreditar que o PAN "continuará a ser um partido assumidamente feminista e orgulhosamente promotor" dos direitos LGBT.

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Também criticou o ministro do Ambiente pela falta de "políticas públicas corajosas", apontando ainda o dedo ao Governo por dar "subsídios perversos" de mais de 500 mil euros ao setor energético e por querer construir o aeroporto do Montijo "a todo o custo".

Só Chicão e Ventura apoiam touradas

André Silva sublinhou a necessidade de se dar resposta à crise ambiental e à emergência climática, que considerou "o desafio da nossa civilização". A atual pandemia "não pode servir de desculpa para não travarmos o combate das nossas vidas", vincou.

O dirigente cessante também realçou o "salto jurídico-filosófico" que o país deu por influência do PAN, deixando de qualificar os animais como "coisas". Trouxe ainda o tema da corrupção, argumentando que o partido tem colocado "o dedo na ferida" sobre esse assunto sem recorrer a "populismos ocos".

André Silva regozijou-se pelo facto de a tauromaquia ter vindo a somar "derrotas atrás de derrotas". "Não conseguem juntar mais que 20 pessoas numa manifestação: 7 cavaleiros, 6 matadores, 3 bandarilheiros, 2 emboladores, o Chicão e o Ventura", referiu.

Após sete anos enquanto porta-voz do PAN, André Silva será substituído na liderança por Inês Sousa Real, deputada e candidata única, que os congressistas irão escolher formalmente neste domingo.

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