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Na despedida, Rio diz que PS está a conduzir Portugal para "um patamar de atraso e ineficácia"

Na despedida, Rio diz que PS está a conduzir Portugal para "um patamar de atraso e ineficácia"

Rui Rio, o líder cessante do PSD disse esta sexta-feira estar "grato" a quem "com coerência e dignidade" o ajudou "lealmente" a cumprir os mandatos à frente do PSD e desejou que Luís Montenegro, que será consagrado líder no congresso deste fim de semana no Porto, "consiga construir um alternativa social-democrata ao Governo do PS" que, em seu entender, "está a conduzir Portugal para um patamar de atraso e ineficácia, relativamente aos nossos congéneres europeus".

"O país tem de estar acima de tudo e os meus votos são para que o Luís Montenegro tenha êxito no serviço a Portugal que agora vai iniciar a partir da liderança da oposição", disse Rui Rio, no discurso de despedida da liderança na abertura do 40.º congresso do PSD que decorre este fim de semana no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

"Os problemas de ordem interna e externa que temos de enfrentar não se compadecem com falta de coragem nem com calculismos táticos que visem obediência a outros interesses que não o interesse nacional", apontando como problemas externos a guerra na Ucrânia, a incerteza e a complexidade do quadro europeu.

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A nível interno, "é notório que Portugal se preparou mal para um cenário de adversidade como o que estamos a atravessar". "Com um endividamento elevadíssimo ao nível do Estado, das empresas e das famílias, o país tem agora de enfrentar uma significativa subida das taxas de juro com evidente impacto ao nível da sua atividade económica e do seu equilíbrio social", alertou o líder cessante, apontando ainda o dedo aos "fracos níveis de produtividade", "à descapitalização da economia e à incapacidade do Governo de levar a cabo uma "estratégia de desenvolvimento económico e social que há muito deveria ter sido uma prioridade governativa".

Ao invés disso, alertou, "Portugal tem hoje uma carga discal recorde, à qual corresponde uma degradação brutal dos seus serviços públicos" e uma administração pública "que caminha para um patamar terceiro-mundista"

"Desde a vergonhosa falta de resposta dos serviços administrativos da Segurança Social, passando pela desorganização do SEF ou pela falta de uma resposta capaz do Serviço Nacional de Saúde e acabando na Justiça onde é hoje normal haver processos a tramitarem durante mais de dez anos, muitos são os exemplos da brutal degradação que tem tomado conta dos nossos serviços públicos", afirmou, apontando a área da Justiça como "o melhor exemplo da incapacidade reformadora de que o país tem padecido".

"Imobilismo reformista"

Na despedida, Rui Rio aludiu ao "silêncio" com que a sua proposta de reforma da Justiça foi recebida, bem como todas as outras reformas a que propôs, como a da revisão da Constituição, a alteração do sistema político e a descentralização. "Foi porque temos consciência de que quando os estrangulamentos se multiplicam e a degradação invade a vida nacional, é um dever patriótico estar disponível para romper com o politicamente correto e arriscar em nome daqueles que nos elegeram", disse o líder cessante, insistindo que "sem uma política reformista, o país continuará a definhar, independentemente de quem, em cada momento possa estar ao leme da governação".

Em jeito de crítica a António Costa, Rui Rio defendeu que "estar na política de forma séria e com espírito de missão", "não é contratar técnicos de marketing a peso de ouro para eles nos mandarem repetir o que o eleitor quer ouvir".

E foi muito duro na leitura que faz do atual Governo: "é precisamente esta forma superficial de estar na vida pública, agravada com uma excessiva obediência à lógica mediática, que tem conduzido o país ao imobilismo reformista, à cobardia política e à degradação cultural e intelectual da intervenção pública -porque, infelizmente, o populismo não é um exclusivo das forças extremistas, nem do mimetismo que caracteriza a maior parte da opinião publicada.

Rio disse encarar a saída com naturalidade e preparou-a "sem dramas, sem precipitações e sem truques". E desejou que o PSD prossiga "como sempre prosseguiu e vença como sempre venceu".

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