Glasgow

"Não é assim tão fácil ser sustentável", mas é possível

"Não é assim tão fácil ser sustentável", mas é possível

Guilherme Menezes, um dos 12 jovens que pôs a sustentabilidade à prova numa viagem a Glasgow, admite que isso não é fácil, sobretudo por falta de informação. De Cascais a Glasgow, não foi só a redução da pegada ecológica que guiou os objetivos dos participantes: o contacto com as pessoas, a consciencialização e a sensibilização foi uma parte fundamental da jornada.

"Uma grande conclusão nossa é que não é assim tão fácil ser sustentável", mas é possível, revelou o jovem ao JN. Controlar o consumo de água direto, em banhos por exemplo, foi fácil: usaram uma aplicação que media o gasto. O mesmo não acontecia com as opções alimentares que podem ser mais sustentáveis, dependendo de vários fatores.

"Depende se são produtos locais, por exemplo. O problema é ter acesso à informação. O local onde os produtos são produzidos pode variar muito a sua pegada ecológica. Produtos com produção semelhantes, podem ter um impacto ambiental diferente por causa do transporte. Os rótulos deveriam ter mais informação, é algo a ser melhorado", defende.

A competição entre as três equipas foi renhida. "Fomos a equipa mais sustentável mas por pouco". No início os trajetos foram diferentes. "Notaram-se bem as diferenças" relativamente às opções de transportes, tendo privilegiado o comboio e os autocarros e prescindido do avião. Mas quando chegaram a Paris, as três equipas fizeram a viagem "basicamente em conjunto". Na segunda metade do trajeto de cerca de 3000 quilómetros foi apenas a alimentação e o alojamento que permitiram uma maior variação de "climas" (a moeda fictícia criada para este efeito) entre as equipas.

"Coopetição" foi a palavra que surgiu na sessão de encerramento para classificar a iniciativa "Climes To Go" pois "estranhamente nenhum dos 12 assumiu um papel de competição mas de cooperação".

O que permitiu a vitória à equipa Produção e Consumo foi o desafio "objeto". Iniciaram o desafio com uma câmara de filmar "daquelas que já ninguém usa e que iria para o lixo". Ao chegarem a Bilbao, os quatro jovens visitaram a instituição Koopera, que se dedica à venda de roupa em segunda mão e emprega pessoas em risco de exclusão social. Sensibilizados com a causa, doaram a câmara de filmar sem pedir nada em troca. Um caderno com páginas em branco feito pelos trabalhadores foi o que receberam. Flávia Sousa, elemento da equipa ligada às áreas do design gráfico e fotografia ilustrou o caderno a contar a história do objeto.

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Para Guilherme Menezes, "sem dúvida que sensibilizar, consciencializar e aprender foi das partes mais importantes da viagem". Pelo caminho encontraram pessoas que, tal como eles, "defendem a produção local".

As três equipas chegaram no dia 31 de outubro a Glasgow, mas só nos dias 2 e 3 estiveram presentes na COP26. "Pudemos aprender como e onde se fazem as negociações mas precisávamos de vários dias para poder absorver o sumo da COP".

A organização da Climes to Go refere que se cada português incorporasse escolhas semelhantes às efetuadas pelas equipas durante esta viagem teríamos poupanças anuais de 5,7 milhões de toneladas de CO2 emitidas, o equivalente a quase 10% da pegada total portuguesa, e de 7187,6 milhões de m3 de água (água usada na produção dos alimentos), o equivalente a mais do que um Alqueva. Da mesma forma, se cada português, em vez dos 80 litros que usa em média por duche, adotasse comportamentos semelhantes aos que estes jovens tiveram durante a viagem, teríamos uma poupança anual a nível nacional de 217 milhões de m3 de água.

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