Desconfinamento

"Não é fácil estar de máscara ao longo de quatro aulas"

"Não é fácil estar de máscara ao longo de quatro aulas"

Alunos desinfetam as mãos e medem febre antes de entrar na sala. Receiam os exames.

O relógio apontava 12.50 horas, quando os alunos começaram a sair às pingas da Escola Secundária João da Silva Correia, em São João da Madeira, e a concentrar-se à entrada, ainda de máscara, para matar as saudades, o que as regras apertadas lá dentro não permitiu. Foi o regresso às aulas dos estudantes do 11.º e 12.º anos, na estranheza de não se poderem tocar.

Mesmo com o calor que se fazia sentir, e já cá fora, Maria João Guimarães não tirou a máscara. A escola apelou a que os alunos a levassem de casa, para evitar esgotar rapidamente o stock. Maria voltou com medos, mas com a ânsia de recuperar alguma normalidade. Aos 17 anos, está a terminar o 12.º e sabe aquilo que quer: estudar Direito.

"Tenho que fazer exame de História e Português, só vou ter aulas presenciais dessas disciplinas, às segundas e quartas de manhã". A turma foi separada, na sala tinha pouco mais de uma dezena de colegas em mesas distantes. "É difícil estarmos juntos e não nos podermos abraçar. Mas não foi um choque".

Mais seguro que a rua

Pela escola, há papéis nas paredes, portas, chão, a indicar os percursos. Está uma turma por piso a ter aulas. "Entramos no bloco pela porta lateral. Antes de subirmos, medem-nos a febre e dão-nos álcool-gel", conta. Foi a associação de pais que comprou termómetros.

Lá dentro, Maria sentiu-se segura: "É muito mais seguro estarmos aqui do que na rua". Mesmo com o incómodo de não poder largar a máscara ao longo de quatro aulas de 50 minutos. "Não é fácil estar sempre de máscara e na sala, mas no intervalo podemos sair para o corredor atribuído a cada turma, respeitando a distância que está marcada com riscos no chão". Sente que não está tão preparada para os exames como se tivesse tido um ano normal. "Tenho receio, porque perdemos o ritmo. Mas os professores estão a fazer tudo para nos ajudar. Vai correr bem".

Com ela, voltaram 300 alunos. O diretor, António Mota Garcia, surpreendeu-se: "O primeiro dia correu muito melhor do que estava à espera. Os alunos estão sensibilizados para as regras de segurança".

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