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Não há casos de reincidência de infeção em Portugal ou "noutros países"

Não há casos de reincidência de infeção em Portugal ou "noutros países"

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse este domingo que não há registo de casos de reincidência de infeção em pessoas que já tenham sido dadas como recuperadas, nem em Portugal "nem noutros países".

A taxa de letalidade global da covid-19 em Portugal é agora de 4,3% e, acima dos 70 anos, é de 17,1%, informou a ministra. Dos 14 óbitos registados nas últimas 24 horas, 11 ocorreram na região Norte e três em Lisboa e Vale do Tejo.

Sobre o segundo óbito na casa dos 20-29 anos, Marta Temido disse tratar-se de uma mulher com "doença complexa associada à covid-19". A ministra destacou que o número de doentes internados continua a diminuir significativamente, registando-se menos 40 doentes internados do que no dia anterior.

"De forma a controlar a contaminação, estamos no terreno com um conjunto de medidas específicas que têm em conta as características específicas dos grupos", acrescentou.

"Com este trabalho de terreno das autoridades, dos hospitais e das autarquias locais temos a convicção de conseguir reduzir nos próximos dias o número de contágio e o risco de contaminação, em concreto na região de Lisboa e Vale do Tejo", garantiu a ministra.

Questionada sobre a situação do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, Marta Temido disse não ter conhecimento sobre a situação dos ventiladores nessa unidade, mas garantiu que o Serviço Nacional de Saúde "funciona em rede" e que será feita uma articulação de recursos com outros hospitais se tal for necessário.

Não há casos de reincidências "nem aqui, nem noutros países"

Em relação a possíveis casos de reincidência de infeção em pessoas que já tenham sido dadas como recuperadas, a diretora-geral da Saúde disse que "não existe, nem aqui nem noutros países". "O que tem acontecido nalguns países é que, quando as pessoas depois [de recuperadas] repetem testes por outro motivo, às vezes um teste dá positivo porque ainda existem pequenas partículas do vírus no trato respiratório superior", mas isso não quer dizer "nem que a pessoa esteja infetada, nem que transmita a doença", explicou Graça Freitas.

Sobre as áreas que geram mais preocupação, a ministra da Saúde referiu que "por vezes há zonas com maior incidência de contaminação" e garantiu que há várias estruturas disponíveis para acolher quem não tem condições de habitabilidade, desde pousadas da juventude, centros do INATEL ou estruturas de campanha. Na Amadora, por exemplo, a Cruz Vermelha conta com cerca de uma centena de camas para este efeito.

Marta Temido revelou ainda que já há casos de pessoas na Grande Lisboa a quem está a ser assegurada uma habitação alternativa por não terem condições para cumprir o isolamento e garantiu que a região tem uma capacidade de testagem diária de quatro mil testes em ambiente público e mais três mil testes em ambiente privado e outros parceiros.

Quanto aos testes, o INEM tem sido o principal meio e "tem conseguido recolher cerca de 200 a 300 amostras biológicas por dia". São sobretudo equipas do INEM que vão fazer o rastreio no setor da construção civil, complementadas por outras estruturas.

Relativamente à região de Lisboa, Marta Temido apontou que "há 99 especialistas de saúde pública" e outros recursos que colaboram com as unidades de saúde pública. "Tomámos a opção de permitir que a retoma da atividade assistencial possa ser mais lenta nessa região. Precisamos de alocar recursos para apoiar".

"Não está fora de questão recorrermos às escolas para ajudarem na situação em Lisboa", disse ainda a ministra.

Sobre o bairro da Jamaica, Marta Temido negou que tenha havido excesso de zelo, garantindo que não houve disparidade de tratamento em relação a outras situações, e disse que havia naquela zona uma "utilização inadequada de espaços de consumo tipo cafés e restaurantes". Foi um fenómeno de "natureza diferente" em relação à situação na Azambuja, comparou a ministra.

Máscaras não devem ser depositadas "nos ecopontos e obviamente nunca no chão"

Questionada sobre o facto de cada vez mais se verem equipamentos de proteção individual no chão, a diretora-geral da Saúde recordou que há uma recomendação "muito clara" que indica que as máscaras "devem ser postas em contentores de lixo normal, urbano, nunca nos ecopontos e obviamente nunca no chão".

"Já houve contactos com a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) e com o Ministério da Educação no sentido de poderem ser reforçados, em determinados sítios, contentores normais com sacos de plástico" para que possam ser depositadas as máscaras utilizadas. "A outra alternativa óbvia é andar com um saquinho de plástico ou com um envelope" para colocar máscaras depois de usadas, disse Graça Freitas.

Decorreu este domingo a habitual conferência de imprensa relativa à atualização diária da situação da pandemia de covid-19 em Portugal, com a ministra da Saúde, Marta Temido, e da diretora-geral da DGS, Graça Freitas.

Portugal atingiu, este domingo, os 1410 óbitos relacionados com covid-19 no país, mais 14 do que no último boletim, divulgado no sábado. No total, já foram registados 32500 casos confirmados (dos quais, 19409 já recuperados), um aumento de 297 pessoas em relação às 24 horas anteriores.

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