Covid-19

Não há desculpas para ficar sentado durante a quarentena

Não há desculpas para ficar sentado durante a quarentena

Com os ginásios fechados, multiplicam-se na internet propostas para se manter fisicamente ativo. "É fundamental, por razões de saúde física e também mental", aconselha José Soares, professor da Faculdade de Desporto do Porto.

Nestes tempos de confinamento em que a porta de casa está quase sempre fechada, abrimos muito mais vezes a porta do frigorífico. É uma reação normal, dizem os especialistas. Temos mais disponibilidade, estamos mais ansiosos, stressados, bombardeados a toda a hora por notícias tristes. A comida torna-se um refúgio que faz disparar o risco de obesidade que urge combater, sob o risco de, "termos a população portuguesa dois ou três quilos mais pesada".

Foi com base nesta premissa que José Soares, catedrático de Fisiologia da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, lançou no Facebook o movimento "Move To Forget" que, apesar dos 15 dias de existência, conta com quase cinco mil seguidores: "Como o próprio nome indica, queremos fazer com que as pessoas se esqueçam, por momentos, deste ambiente em que vivemos e, fundamentalmente, que elas tenham atividade física. É fundamental, não só por razões de saúde física, mas também mental."

Às 19 horas, de segunda a sexta-feira, e às 18 horas, fim de semana, durante meia hora, um técnico qualificado orienta um treino gratuito, em direto, dirigido a todos. Os vídeos têm registado uma média de 2,5 mil visualizações, alguns já atingir as 5 mil. "As aulas são divertidas, os professores são quase sempre diferentes e as pessoas sabem que àquela hora é tempo de se desligar e fazer exercício físico em família", explica o docente.

"Maior do que o risco de fazer é não fazer", avisa José Soares. E não há desculpas para não fazer: na internet pululam propostas para nos mantermos fisicamente ativos. Os clubes de fitness, sobretudo os grandes e médios operadores, passaram a dar aulas online e a disponibilizar vídeos, planos de treino e até de nutrição. Foram obrigados a reinventar-se, tal como os profissionais do setor, muitos deles trabalhadores independentes.

Foi o caso de Duarte Bairrada, instrutor de fitness em regime freelance que também no Facebook passou a ministrar os treinos em live feed - três blocos diários de dez minutos, de manhã, à tarde e à noite. Numa primeira fase, fê-lo de forma gratuita, depois passou a cobrar um euro por dia: "Permitir-me-á ter algum retorno, para eu também conseguir pagar as minhas contas", explica.

A empresa "Treino em Casa", que há quase dez anos oferece um serviço de personal training, também teve que se readaptar. Suspendeu os treinos ao domicílio, que fazia no Porto e em Lisboa, e transferi-os para a internet: há uma sessão grátis diária e também treinos personalizados, por videoconferência, com valores entre os 8 e aos 34 euros. "A adesão tem sido fantástica, as pessoas percebem que neste momento difícil têm que se movimentar, especialmente aquelas que já tinham uma prática regular", conta Pedro Almeida, um dos técnicos.

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