Reunião Infarmed

"Não há ligação entre transporte ferroviário e surto" de covid-19

"Não há ligação entre transporte ferroviário e surto" de covid-19

No final da reunião no Infarmed, para um balanço com especialistas da evolução da pandemia de covid-19 no país, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que segundo os dados obtidos, não há qualquer ligação entre os transportes públicos e o surto da doença na região de Lisboa.

"Foi apresentado um estudo que parece demonstrar que não há ligação entre o transporte ferroviário, isto é, por comboio, as linhas no quadro desta região, e o surto pandémico. É um dado novo que não era conhecido, mas que foi estudado de forma quantificada", afirmou o presidente da República após a reunião no Infarmed sobre a evolução da pandemia.

O chefe de Estado referiu que "a região de Lisboa e Vale do Tejo mereceu uma atenção particular" nesta sessão e, no retrato dessa situação, foi assinalado "o peso que veio a ganhar ao longo das últimas semanas" a população que tem entre 20 e 30 anos.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os especialistas consideram "que a coabitação é o fator mais importante em termos de explicação causal dos surtos surgidos, logo seguida da convivência social, que tem vindo a ganhar importância".

O chefe de Estado referiu que o indicador de transmissão do novo coronavírus baixou e "o R nacional encontra-se em 0,8, no último cálculo, e na região de Lisboa e Vale do Tejo em 0,7".

"Olhando para os últimos dias, o que foi dito é que há uma estabilização e uma tendência, embora ligeira, de aparente descida, porventura fruto das medidas tomadas, sendo embora muito cedo para fazer uma avaliação definitiva", relatou Marcelo Rebelo de Sousa.

Estudo sobre imunidade

O presidente da República indicou que o primeiro estudo serológico sobre a imunidade da população portuguesa em relação ao novo coronavírus "estará pronto no final de julho", tal como tinham anunciado o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, e o presidente do INSA, Fernando Almeida, no início da semana.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que "se seguirão um estudo a cinco meses e sucessivos estudos de três em três meses".

"Também foi dado conta de um estudo epidemiológico que levará mais longe o aprofundamento da comparação da situação socioeconómica e de atividades socioeconómicas entre as várias regiões", acrescentou.

Transparência

"Terminamos hoje uma experiência de vários meses, iniciada no final de março em pleno estado de emergência", declarou o presidente da República aos jornalistas na 10.ª e última reunião no Infarmed de acompanhamento da pandemia em Portugal.

Sem querer "fazer profecias sobre o que será necessário em termos de futuros encontros como este", o chefe de Estado fez um balanço destas dez sessões, que se realizaram por iniciativa do primeiro-ministro, António Costa, afirmando que a sua realização periódica foi "muito importante".

"Permitiu um contacto aberto entre especialistas e decisores políticos, foi uma experiência única não verificada em nenhum outro país europeu e, que saiba, em nenhum outro país no mundo. Facilitou a convergência e a unidade de análise, de troca de pontos de vista e até a convergência na decisão, fundamental durante o estado de emergência e na transição para o estado de calamidade", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que esta iniciativa "mostrou uma transparência total, ao ponto de o presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro saberem à entrada das sessões exatamente o mesmo que sabiam os outros participantes, nomeadamente os conselheiros de Estado e os representantes dos vários partidos políticos com assento parlamentar".

"É o máximo da transparência que se pode imaginar num exercício destes. Portanto, valeu a pena fazer esse exercício", defendeu.

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