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"Não adianta anunciarem a minha morte política", diz Montenegro

"Não adianta anunciarem a minha morte política", diz Montenegro

Em 2005, ao sair da liderança do PSD, Pedro Santana Lopes disse que ia "andar por aí"; quinze anos depois, Luís Montenegro não citou o ex-líder textualmente, mas garantiu que "não vale a pena anunciarem a minha morte política". O candidato derrotado à liderança social-democrata reconheceu o desaire, saudou o "companheiro" Rui Rio, e informou que vai regressar "à condição de militante de base" - embora admita ir ao Congresso de fevereiro.

Montenegro entrou na sala acompanhado de Maria Luís Albuquerque, antiga ministra das Finanças de Passos Coelho. Foi aplaudido de pé pelas largas dezenas de apoiantes presentes - havia cinquenta cadeiras, que se revelaram poucas para tanta adesão; aliás, se fosse pela vontade dos militantes lisboetas, o desfecho da noite eleitoral teria sido outro. Só falou do "companheiro" Rui Rio já depois dos seis minutos de discurso, reconheceu o rival enquanto vencedor - "é credor do nosso cumprimento", referiu - mas, logo depois, atirou-lhe uma farpa: o PSD, diz Montenegro, deu ao presidente reconduzido "uma nova oportunidade para inverter o ciclo de maus resultados [eleitorais]".

O candidato derrotado lembrou ainda que conseguiu cerca de 47% dos votos e pediu a Rio que saiba "interpretar os resultados eleitorais que o PSD obteve no último ano". Sublinhando que não coloca em causa a vitória do adversário, considerou, contudo, que "é importante que essa reflexão seja feita".

Sem cargos no partido... "nos próximos tempos"

Discursando para uma plateia que contou com nomes como Paula Teixeira da Cruz ou Teresa Morais na primeira fila, Montenegro não excluiu a hipótese de marcar presença no Congresso do próximo mês e revelou que vai "regressar, com muita tranquilidade e de consciência tranquila", à "condição de militante de base". Diz que não tenciona, "nos próximos tempos", desempenhar qualquer cargo no PSD, mas esclarece que estará "disponível para os combates na medida em que o partido quiser".

Nos últimos meses o PSD tem vivido momentos turbulentos, razão pela qual Montenegro apelou à "paz e unidade". "Todos temos de contribuir para acabar com a cultura de facção, com divisões insustentáveis e agressividades intoleráveis. Todos temos de colaborar para unir o PSD". No entanto, advertiu, "essa unidade começa na liderança e no líder. Desejo que Rio tenha essa capacidade", atirou, recebendo alguns gritos de aprovação. Uma vez terminado o discurso, a plateia de inconformados aplaudiu de pé o homem que gostaria de ter visto ser eleito. Se a "paz e unidade" que o próprio candidato derrotado pediu vão finalmente regressar ao maior partido da oposição, só o tempo dirá.

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