Reportagem

"Nas aflições, era Jorge Coelho que nos ajudava"

"Nas aflições, era Jorge Coelho que nos ajudava"

Histórico socialista vai ser sepultado no sábado em Mangualde. Corpo está esta sexta-feira na Basílica da Estrela.

Sempre que Jorge Coelho levava amigos para comerem em Contenças, Santiago de Cassurrães, de onde é natural e onde o avô lhe deixou uma casa, Filomena Lopes era chamada a ajudar a fazer a refeição ou a servir à mesa. Anteontem teve outra missão: consolar a empregada de Jorge Coelho, que a chamou num pranto de lágrimas: "Morreu o meu irmão", contou-lhe.

O antigo ministro de António Guterres faleceu anteontem, aos 66 anos, na Figueira da Foz, de doença súbita, tal como o pai, que perdeu aos seis anos. "Aqui não há ninguém que não gostasse dele", assegura Filomena. "Nas aflições era sempre Jorge Coelho que nos ajudava ", assegura.

O corpo de Jorge Coelho vai estar em câmara ardente a partir das 19 horas na Basílica da Estrela, em Lisboa, onde o padre Vítor Melícias lhe rezará, às 8.30 horas de sábado, uma missa de corpo presente. Segue para o cemitério de Santiago de Cassurrães. A Câmara de Mangualde decretou três dias de luto, até amanhã.

"Perdemos a maior referência política, uma pessoa muito generosa, cheia de coragem, elegante e atencioso", elogia Elísio Fernandes, presidente do município (PS). Para o autarca, Jorge Coelho "nutria um grande amor por Mangualde", onde em 2016 investiu 2 milhões de euros numa queijaria e empregou cerca de 20 pessoas que produzem queijo serra da Estrela DOP (Denominação de Origem Protegida).

A queijaria era um sonho antigo, em homenagem ao avô, que vendia queijo da serra da Estrela "Ele sempre disse que o faria quando tivesse uma vida mais calma", conta Joaquim Lopes, amigo de Jorge Coelho, com quem jogou futebol, roubou fruta e andou com uma pressão de ar a matar pássaros. Luís Pais atravessa-se na conversa: "Também andámos juntos a pintar nas paredes "Abaixo Salazar" porque o avô de Jorge Coelho informava a PIDE, relata.

Jaime Jorge fez a primeira comunhão com Jorge Coelho. "Ele depois foi estudar, mas nunca se desligou da terra ", afirma. "Ele era muito carinhoso", conta Conceição Teixeira, de 74 anos, que o tratava por Jorginho. Da mesma idade, Rosário Valério recorda: "Temos aqui o lar de Santiago e foi ele que arranjou verbas", conta a também mãe do presidente da Junta de Freguesia, Rui Valério, que conhecia Jorge Coelho desde sempre: "Era amigo de toda a gente".

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