São João da Madeira

Nesta escola, há uma "ginástica grande" para ter circuitos e viseiras para todos

Nesta escola, há uma "ginástica grande" para ter circuitos e viseiras para todos

Em S. João da Madeira, há alunos que não regressam por falta de transporte, outros porque preferem as aulas à distância.

Passou os últimos dias numa azáfama, entre videoconferências com professores e a associação de estudantes, para desenhar horários, criar circuitos, separar turmas. Anabela Brandão, diretora da Escola Secundária Serafim Leite, em S. João da Madeira, relata a preocupação em garantir a segurança dos alunos. Eles próprios estão com medo e Nélson Oliveira, estudante, mostra dúvidas sobre este regresso.

Tem pelo menos 60 alunos para encaixar numa escola em obras. "Foi muito difícil, porque a escola está reduzida a um bloco e tenho que garantir o distanciamento. Estamos a fazer uma ginástica grande", desabafa Anabela. Conta 13 salas com condições de arejamento e cinco turmas, do 11.º e 12.º anos, que tiveram que ser divididas. "E são poucas porque o ensino profissional não está a funcionar". Mas a diretora quer abrir as portas a outros alunos que queiram fazer exames nacionais. "Muitos não querem vir porque não têm transporte escolar, ou porque acham que as aulas à distância estão a resultar. Mas estamos a tentar que todos venham".

Anabela não andou de régua e esquadro na escola, mesmo sendo professora de Matemática, mas quase: "Criámos um circuito para cada turma, que terá sempre aulas na mesma sala". Cada turma só terá aulas ou de manhã ou de tarde. O bar e a cantina estão fechados. Nas salas, há uma mesa por aluno, distanciada pelo menos dois metros. E os estudantes não podem sair nos intervalos. "Confio muito nos meus alunos e sei que vão respeitar. Mas só depois de os ter na escola é que vamos perceber como vai funcionar".

O edifício vai ser desinfetado pelo menos duas vezes por dia e as salas de cada vez que há mudança de turma. Amanhã, alunos, professores e assistentes não entram sem máscara na escola e, logo à entrada, têm que desinfetar as mãos. Também há álcool-gel nas salas. E viseiras. "Somos fabricantes de viseiras desde o início da pandemia. Agora estamos a fazer para os nossos assistentes operacionais, professores e vamos tentar ter para todos os alunos".

É uma nova realidade. "Antes, conseguíamos perceber os alunos pela expressão facial. Agora, vai ser dificílimo". A isso, Anabela junta os receios de um possível contágio na escola. Os mesmos que tem Nelson Oliveira, aluno do 12.º º ano e presidente da associação de estudantes. "Por um mês, não sei se vale a pena correr estes riscos. As aulas em videoconferência têm resultado", diz ele. Sabe que vai ter indicações para saber onde pode andar. Que não pode tirar a máscara dentro da sala e tem treinado isso em casa. E que não terá intervalos. "Mal nos sentemos só poderemos sair quando for para ir embora", resume.

Vai fazer exame de Desenho, quer seguir Arquitetura. Reconhece que treinar exercícios resulta melhor com o professor presencialmente. "Mas o maior desafio do distanciamento vai ser em disciplinas, como Matemática, em que é fundamental ter o professor à nossa beira a explicar no nosso caderno. Agora teremos que estar a dois metros", conclui.

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