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80 anos

No "ocaso da vida", Sampaio deixa alertas às novas gerações

No "ocaso da vida", Sampaio deixa alertas às novas gerações

"É o ocaso da vida, mas é um ocaso magnífico". Jorge Sampaio, homenageado esta quarta-feira por ocasião dos seus 80 anos, mostrou ser um homem realizado com tudo o que fez.

O antigo presidente da República celebrou o aniversário na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, onde chegou de braço dado com a mulher, Maria José Ritta, e pôde contar com a presença de António Costa, de vários membros do Governo e, ainda, de inúmeros históricos socialistas, entre os quais Manuel Alegre e Vera Jardim. As debilidades físicas de Sampaio foram evidentes, mas contrastaram com a lucidez do discurso que preparou, sem conseguir travar a emoção.

Falando da "grande complexidade dos nossos tempos", Jorge Sampaio lembrou que "está tudo em jogo" a nível económico, político e social, mostrando-se apreensivo quanto "à forma como o capitalismo financeiro vai tratar das crises". O antigo chefe de Estado considerou também ser imperativo "descobrir novas formas de agir e saber mobilizar os que têm de ser mobilizados", e instou as atuais gerações de militantes do PS a trazerem "novos grupos" para "a luta pela democracia e pela liberdade", como forma de "vigilância" sobre "certo tipo de paradigmas que se estão a formar".

Já António Costa, atual líder do PS, quis prestar homenagem "a um dos mais ilustres militantes do PS" e a um homem que, mesmo "depois de já ter tido uma longa carreira política", continua a ser "um militante pela defesa dos direitos do Homem, da Democracia e da Liberdade". Tratando Sampaio pelo primeiro nome, o primeiro-ministro referia-se ao facto de Sampaio ter fundado e manter a Plataforma Global para Estudantes Sírios, que ajuda jovens de vários países do Médio Oriente a fugirem à guerra e a virem estudar para Portugal, elogiando-o por continuar a sentir "intranquilidade" quando "tinha todo o direito de já estar a gozar a tranquilidade da vida".

O primeiro discurso da cerimónia, bastante emotiva, coube, precisamente, a um desses mais de 300 estudantes que Sampaio já ajudou. Tamin, jovem refugiado a estudar em Portugal devido ao apoio da associação, agradeceu em bom português ao antigo presidente por lhe ter salvo a vida, momentos antes de a sua filha entregar um ramo de flores ao aniversariante.

Num dia em que voltou a estar no centro das atenções, Jorge Sampaio revelou que a cerimónia dos seus 80 anos não foi agendada para o Largo do Rato ao acaso, mas sim devido aos muitos sucessos e desgostos que ali viveu. O antigo chefe de Estado não terminaria a aparição pública sem que alguma emoção lhe assomasse à voz, fazendo assim recordar alguns episódios da sua presidência e cumprindo, portanto, aquilo que tinha previsto no momento em que tomou a palavra: "não costumo conseguir fazer este tipo de coisas sem chorar um pouco".