Ministra da Saúde

Norte com 1126 casos de covid-19 por 100 mil habitantes, quase o dobro da taxa nacional

Norte com 1126 casos de covid-19 por 100 mil habitantes, quase o dobro da taxa nacional

É no Norte que continua a residir maior preocupação em relação ao número de novos contágios de covid-19 e à pressão do sistema de saúde. O risco efetivo de transmissão da doença está a abrandar, mas ainda vai demorar até sentirem-se os efeitos.

Nesta "segunda onda de crescimento da pandemia", situação "comum a praticamente todos os países europeus", Portugal regista uma taxa de incidência (referente aos últimos 14 dias) de 655,2 novos casos por cada 100 mil habitantes, disse a ministra da Saúde esta sexta-feira, dia em que Portugal voltou a bater um novo valor máximo de novos casos (6653), ultrapassando os 200 mil casos de covid-19.

PUB

A taxa de incidência é "muito variável e assimétrica" no país, sendo muito superior na região Norte, que "enfrenta maior número de infetados e maior pressão dos serviços de saúde", com 1126 novos casos por cada 100 habitantes, quase o dobro da taxa a nível nacional. E, de acordo com um relatório da Administração Regional da Saúde do Norte (ARS-N), os concelhos de Lousada, Paços de Ferreira e Vizela registaram mesmo uma incidência duas vezes superior à média da região. Segundo a ministra, há no Norte várias respostas efetivas no setor das fundações e no setor social que, em conjunto, já disponibilizaram 93 camas para doentes covid.

Por sua vez, o Centro tem uma taxa de incidência de 449,9 casos por 100 mil habitantes, a região de Lisboa e Vale do Tejo tem 466 casos, o Alentejo 252,9 casos e o Algarve 251,2.

RT "está a baixar" mas vai demorar até letalidade diminuir

O risco efetivo de transmissão da doença (o RT) "está a baixar muito lentamente", situando-se agora em 1,11, valor que "deve ser lido com muita prudência", uma vez que se trata de uma "variação muito pequena e recente". "Vão demorar semanas depois de atingirmos o pico da doença a sentirmos uma diminuição na procura dos hospitais e ainda mais semanas a sentir-se uma diminuição daquilo que é a letalidade", e, por isso, "seria irresponsável abrandar o esforço" no combate à pandemia, ressalvou a governante.

Doente internado em hospital não SNS custa 2495 euros ao Estado

Questionada sobre os custos de internamento de doentes covid-19, tanto em enfermaria como em unidades de cuidados intensivos, em hospitais privados, Temido começou por explicar que, em abril de 2020, quando a Administração Central do Sistema de Saúde preparou a primeira convenção extraordinária, não havia casuística de tratamento de covid-19 que permitisse apurar um preço específico, não havia histórico".

"A esta data temos sete a oito meses de dados e foi com base nisso que se fez a revisão do preço": o custo do internamento de um doente num hospital que não pertença ao SNS aumentou de 1962 euros para 2495. O preço para internamento em cuidados intensivos, que antes era fixo independentemente do período de internamento, depende agora se a ventilação é inferior a 96 horas (6036 euros) ou superior (8431 euros), como avançou hoje o JN.

Mais camas de cuidados intensivos até ao fim do ano

A capacidade hospitalar, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos, deverá ser reforçada até ao final do ano em alguns hospitais. O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho poderá contar com "28 camas de cuidados intensivos até ao final do mês", exemplificou Temido, notando que o Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e o Espírito Santo (Évora) também deverão ter mais camas em breve.

A governante recordou ainda os 10 acordos assinados com a ARS Norte na semana passada, no valor de 33 milhões de euros, para dar resposta a doentes não covid-19, anunciando "um conjunto de respostas em Lisboa e Vale do Tejo que estão prestes a entrar em funcionamento".

1,4 milhões já terão recebido vacina

Em linha com o que já tinha dito a diretora-geral da Saúde, sobre a inexistência de vacinas contra a gripe para a população total do país, Temido reforçou a ideia de que "só devem tomar a vacina as pessoas que para ela têm indicações", adiantando que, este ano, houve uma procura pela vacina sem precedentes: "A vacina da gripe é produzida todos os anos para a estirpe que está em circulação. O mercado mundial é limitado. O país comprou este ano mais vacinas que em anos anteriores, pegou em vacinas das que comprou para o SNS e partilhou com as farmácias. Tivemos uma procura este ano como nunca tivemos. Estamos a vacinar mais do que alguma vez vacinámos".

Adiantando uma estimativa de "1,4 milhões de pessoas vacinadas" contra a gripe, a governante destacou que há ainda "cerca de 400 mil vacinas que estão em pontos do SNS para vacinação" e que o Governo está "a fazer todos os esforços" para antecipar a entrega prevista para a última semana de novembro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG