Reportagem

Nos bastidores da operação vacina: uma injeção a cada seis minutos

Nos bastidores da operação vacina: uma injeção a cada seis minutos

Megaoperação em marcha no S. João para aplicar este domingo as 2125 doses. Vacinação também no Santo António, Coimbra e Lisboa Norte e Central.

"Aqui já está tudo". Ao final do dia, duas pessoas verificavam se os 25 gabinetes de consultas externas do Hospital de São João, no Porto, têm os materiais necessários para, este domingo, vacinar um profissional de saúde a cada seis minutos, até esgotar as 2125 doses que lhe couberam. O cronómetro está em contagem decrescente para as 10 horas da manhã, hora a que será administrada a primeira vacina para a covid-19, em Portugal.

O tempo está contado ao minuto, até porque o prazo de validade da vacina da Pfizer-BioNTech acaba na quarta-feira. Depois da tirarem do frigorífico, os farmacêuticos têm duas horas para a diluir e outras seis horas para a administrar em cada um dos 2125 auxiliares, técnicos de diagnóstico e terapêutica, enfermeiros e médicos que quiseram ser vacinados.

Na farmácia, já está tudo preparado para diluir o concentrado de vacina em soro fisiológico e transformar o conteúdo de 425 frascos em 2125 doses. O processo é feito dentro de câmaras, umas caixas retangulares em que só entram os materiais necessários, conta o diretor do serviço, Pedro Soares.

Para cada frasco, são necessárias cinco seringas, cinco agulhas, cinco sacos. "Será como um ballet russo ou um relógio suíço, o que for mais preciso", diz. É uma forma de controlo: se sobrar ou faltar uma seringa, é porque algo correu mal.

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Uma vez diluídas e postas em seringas, as vacinas serão fechadas em sacos individuais e transportadas até às consultas externas dentro de caixas térmicas - não porque seja, agora, importante mantê-las em frio (depois de diluídas, aguentam seis horas à temperatura ambiente), mas para as proteger de possíveis choques e trepidações. De meia em meia hora, estima Pedro Soares, uma nova tranche percorrerá, ao ombro de um estafeta, os cinco minutos que separam os serviços farmacêuticos dos postos de vacinação. Será nos gabinetes de consultas externas, desocupados aos domingos, que começará a segunda parte desta espécie de linha de montagem.

Vacinação em "blitz"

A primeira vacina, simbólica, será administrada sob o olhar da ministra da Saúde. Ainda hoje, Marta Temido também vai testemunhar o início da campanha de vacinação no Santo António (Porto) e no Centro Hospitalar de Coimbra e, na segunda-feira, nos centros hospitalares de Lisboa Norte (Santa Maria) e Lisboa Central (Curry Cabral, Dona Estefânia e São José).

Pela manhã, no São João, o plano vai acelerar logo depois da primeira injeção, simbólica. Ao longo de oito horas, nos 25 gabinetes, uma equipa de 40 enfermeiros vai-se revezando para inocular 2125 profissionais de saúde, ao ritmo de dez pessoas por hora. Se tudo correr como planeado, este "blitz" conseguirá administrar todas as doses entregues ao São João ainda em 2020. E mesmo assim, nem todos os interessados irão receber a vacina hoje. O hospital garante que a taxa de adesão foi superior a 90%.

Vigiados por duas semanas

Os profissionais de saúde selecionados, explicou o diretor do Centro de Ambulatório, Xavier Barreto, foram convocados para uma hora específica e aguardarão na sala de espera que o sistema de senhas lhes indique a vez. Quando chegar o seu número, terão de entrar no gabinete, receber a injeção, e sair, tudo em seis minutos.

Depois, a meia hora seguinte será passada numa espécie de sala de recobro, onde uma outra equipa vai monitorizar o aparecimento, ou não, de efeitos adversos, como alergias. "Se há um sítio bom para se ter uma reação adversa é aqui", diz Nelson Pereira, diretor de Urgência e Medicina Intensiva. Nas duas semanas seguintes, a Saúde Ocupacional continuará a vigiar a evolução dos vacinados. Haverá, também, um número de telefone, para onde poderão ligar em caso de emergência ou tirar dúvidas. No total, a megaoperação vai envolver uma equipa de cem pessoas.

O primeiro passo, porém, será dado hoje, manhã cedo, quando os serviços farmacêuticos começarem a preparar as doses, horas antes dos enfermeiros entrarem nos 25 gabinetes de consulta, já prontos à espera.

Bastonário vacinado às 11.45 horas

O bastonário da Ordem dos Médicos, urologista com atividade na área da transplantação renal, está entre as primeiras pessoas a receber a vacina contra a covid-19. Miguel Guimarães foi convocado para as 11.45 horas, no São João.>

Enviado SMS com link para informação

A Proteção Civil enviou um SMS a todos os portugueses, avisando que a campanha de vacinação começa este domingo. A mensagem tem um link para um site com informação sobre a vacina contra a covid-19.

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