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Novas Oportunidades: Uma "revolução silenciosa"

Novas Oportunidades: Uma "revolução silenciosa"

A formação de jovens e adultos através dos programas Novas Oportunidades está a provocar uma "revolução silenciosa" na Educação, defende a vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação.

"Estamos a assistir a uma revolução silenciosa", afirmou Carmo Gomes, referindo-se a um estudo exploratório sobre o impacto da formação de adultos que frequentam os Centros de Novas Oportunidades no sucesso escolar dos seus filhos.

Carmo Gomes falava no "I Encontro Internacional de Literacia Familiar - Implicações da Família no Sucesso Escolar", que encera sábado, em Coimbra.

Coordenado por Lucília Salgado, da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), o estudo veio demonstrar que os pais que frequentam as Novas Oportunidades "passaram a valorizar a escola de uma forma totalmente diferente, subiram a fasquia da escolarização", sublinhou Carmo Gomes.

A vice-presidente da ANQ disse que o facto de haver "um milhão de pessoas interessadas em estudar mais" está a provocar uma mudança na "maneira como os portugueses olham para a escola".

O estudo, intitulado "Uma oportunidade dupla: da promoção da literacia familiar ao sucesso escolar das crianças", que será apresentado sábado no encontro, veio demonstrar que as Novas Oportunidades tiveram um impacto positivo no acompanhamento escolar dado pelos adultos que as frequentaram aos seus filhos.

Nos próximos meses, arranca uma segunda fase do estudo, para se apurar se essa mudança contribuiu ou não para aumentar o sucesso escolar das crianças.

"É muito importante as pessoas acreditarem que são capazes, mas para isso tem de haver condições para que possam experienciar sucesso", defendeu, em declarações à Agência Lusa, Susana Coimbra, que abordou "A motivação para o sucesso escolar".

A docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade do Porto alerta que "a escola deve estar muito atenta aos ritmos de aprendizagem, interesses, dificuldades e condições de vida dos alunos".

Por outro lado, a conciliação entre a vida familiar e profissional é "particularmente complexa em Portugal", considerou Cláudia Andrade, docente na ESEC, que sábado dissertará sobre o tema "Trabalho, Família e Relações Pais-Filhos".

"Tradicionalmente, temos poucas estruturas de apoio, os horários de trabalho não estão pensados de modo as pessoas poderem harmonizar a sua vida familiar e profissional", disse, frisando que "não basta existirem medidas na lei quando as pessoas têm receio de as usar, pelas implicações que poderão ter na sua vida profissional".

As relações entre pais e filhos, entre a escola e os pais e o sucesso escolar e educativo são questões em análise no encontro, organizado pela ESEC.

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