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Novas regras covid-19 surpreendem portugueses de férias em Itália

Novas regras covid-19 surpreendem portugueses de férias em Itália

Quem não tem dose de reforço está impedido de aceder a restaurantes, bares, hotéis, visitar museus ou andar em transportes públicos.

As novas regras de combate à pandemia, que entraram em vigor esta terça-feira, em Itália, apanharam de surpresa os turistas europeus detentores do certificado de vacinação que ainda não receberam a dose de reforço contra a covid-19. Sem ele, não podem consumir bebidas ou alimentos em cafés, bares ou restaurantes, não podem ficar alojados em hotéis, entrar em museus ou, até, andar em transportes públicos.

Foi o caso do português António Serralha, que se viu na iminência de "dormir na rua, se não tivesse conhecidos, a 200 km, que cederam alojamento" e "nem um café pode tomar". Mas a maior angústia do turista de Lagos, no Algarve, de 44 anos, foi passar toda a semana a "tentar perceber como entrar no aeroporto sem o "super certificado digital" para regressar a casa, no próximo domingo".

"Tenho a segunda dose da vacina e o meu certificado digital está válido até ao final do mês. Mas os italianos decidiram que, sem a dose de reforço, é inválido", lamentou o turista algarvio.

Na viagem de uma semana, de domingo a domingo, descobriu logo na terça-feira que "já não conseguia fazer nada em Itália" e passou a ter de ir dormir a 200 km, em casa de amigos, porque não poderia alojar-se em estabelecimentos turísticos. "Contactei a Embaixada de Portugal, disseram-me para ligar para o serviço de emergência consular, em Lisboa. Telefonei e expliquei a situação, mas responderam-me que não era uma emergência e desligaram o telefone", relatou, revoltado com a falta de assistência.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), que entrou em contacto com António Serralha após pedido de esclarecimento do JN, esclareceu quanto às regras em vigor naquele país comunitário e assegurou que, de acordo com garantia do Governo italiano, "a obrigatoriedade de apresentação de um "certificado verde reforçado" se aplica apenas aos voos domésticos e não aos voos internacionais". Assim, o acesso do turista ao aeroporto deverá ser possível.

Entretanto, António Serralha percorreu os meandros burocráticos italianos para "tentar tomar a dose de reforço da vacina em Itália, o que exige tirar o número de contribuinte italiano provisório, para depois pedir o agendamento da vacina". A emissão de um documento que, em 24 horas, atesta a tomada do reforço, poderá ser a última esperança de "ao menos, conseguir provar uma pizza em Itália".

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Já tinha feito um teste à covid-19, negativo, na tentativa de obter o "super certificado", contudo não conseguiu que o mesmo fosse emitido pelos italianos.

O MNE recorda que o Portal das Comunidades Portuguesas e o da Embaixada de Portugal em Itália mantêm atualizados os conselhos aos viajantes para Itália, onde são explicadas as regras que entraram em vigor esta semana.

As regiões de Itália estão classificadas com quatro cores, de acordo com a gravidade da pandemia, nas quais, regra geral, só quem tem as três doses da vacina consegue movimentar-se com relativa normalidade.

O país está já a administrar a quarta dose de reforço da vacina, numa altura em que o número de casos diários ronda os 120 mil e os óbitos andam perto de 400 por dia. Desde o início da pandemia, Itália soma mais de 11,2 milhões de infetados e perto de 150 mil mortos.

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