Covid-19

Novo coronavírus em Portugal sofreu 600 mutações

Novo coronavírus em Portugal sofreu 600 mutações

A análise do genoma do novo coronavírus em Portugal já detetou 600 mutações comparando com o SARS-CoV-2 que surgiu em Wuhan. Há 15500 pessoas sob vigilância médica. Já foram feitos nove mil testes a trabalhadores da Grande Lisboa.

O estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)sobre a sequenciação do genoma do novo coronavírus em Portugal já permitiu detetar 600 mutações, ou seja, 600 alterações em relação ao vírus que surgiu em Wuhan, na China, em dezembro de 2019, anunciou o secretário de Estado da Saúde.

Este estudo já "analisou cerca de 800 sequências do genoma do novo coronavírus SARS-CoV-2 obtidas de amostras colhidas em 116 concelhos", acrescentou Francisco Lacerda Sales, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia.

"O INSA está também a colaborar com as autoridades de saúde locais de forma a perceber o cenário regional das cadeias de transmissão e pontos de entrada do vírus", explicou o governante.

Fernando Almeida, presidente do INSA, sublinhou que "estas mutações são significativas" e "há uma certeza: a maioria destes vírus, destas mutações, cerca de 90%, são todas iguais na Europa, pertencem todas a um grupo genético. Estas mutações são associadas ao vírus que está a circular mais na Europa".

"Há uma característica deste grupo genético que partilha a mutação específica de uma proteína (...) que permite que o vírus infete a pessoa", explicou.

Já sobre o inquérito serológico em curso, que teve início a 25 de maio e decorre até 11/12 de junho, "está na fase de terreno", indicou Fernando Almeida,

Resultados preliminares deverão ser conhecidos a 15 de julho, estima o presidente do INSA.

A amostra analisada (duas mil), considerada "pequena", tem em conta a necessidade de se conseguir "respostas o mais rápido possível para se tomar decisões", justificou.

"Cinco meses depois, este estudo vai ser repetido, eventualmente aumentando a amostra, e depois, de três em três meses, faremos o seguimento para determinar a prevalência da imunização das pessoas em Portugal", concluiu.

Portugal regista, esta quinta-feira, 1455 óbitos associados a covid-19 (mais oito). António Lacerda Sales indicou que a taxa de letalidade é de 4,3% e, acima dos 70 anos, é de 17,3%.

Há cerca de 15500 pessoas sob vigilância médica - casos suspeitos ou confirmados mas a recuperar no domicílio.

Referindo-se aos "esforços de rastreio nas empresas da Grande Lisboa", o secretário de Estado da Saúde revelou que, até quarta-feira, "foram feitas cerca de nove mil colheitas" e "hoje estão previstas cerca de cinco mil".

Sobre a testagem a nível nacional, o governante referiu que, a 2 de junho, "cerca de 50% dos testes foram feitos na região de Lisboa e Vale do Tejo, 28% no Norte, 14% no Centro, 4% no Alentejo e 2% no Algarve".

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, garantiu: "não se parou de fazer testes em nenhuma região do país. Continua a testar-se de acordo com a situação do país".

Em relação aos locais da região de Lisboa que concentram as maiores preocupações das autoridades de saúde, Graça Freitas apontou os concelhos de Loures, Lisboa, Almada, Seixal, Barreiro, Vila Franca de Xira e Sintra como "as zonas com mais casos por mil habitantes desde 1 de maio a 1 de junho".

Sobre a retoma das visitas aos doentes internados em hospitais, Graça Freitas respondeu: "vamos esperar mais alguns dias para ver como evolui a situação em Lisboa, se vai ter ou não reflexos no resto do pais, devido à mobilidade de pessoas".

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