Retoma

Novos alunos ajudam surf a recuperar da pandemia

Novos alunos ajudam surf a recuperar da pandemia

Escolas contam com portugueses para aliviar impacto do encerramento de dois meses. Partilha de material mantém-se, com cuidados acrescidos.

"Hoje é segunda-feira! Vou ao surf!", gritou Bruna, de 13 anos, ansiosa por recuperar o tempo perdido. Ainda as escolas de surf não tinham fechado e Bruna já não treinava há largos meses. Uma cirurgia aos pés manteve a menina, com trissomia 21, afastada do desporto desde setembro. Foi no pico da pandemia, no final de março, que Bruna recebeu a tão esperada autorização para regressar ao mar de Matosinhos. Ainda vigorava o estado de emergência nacional.

A prancha de Bruna só voltou a molhar-se a 1 de junho. E se a "Onda Pura" não tivesse fechado as portas durante dois meses, a pandemia não ia manter Bruna afastada, garante a mãe, de 49 anos, Ana Sousa.

Em Matosinhos, são várias as escolas de surf que admitem que, sem os alunos da região, a situação económica do setor seria, neste momento, muito pior. A adesão diminuiu na maioria das escolas, principalmente pelo quase desaparecimento do turismo, e as apostas fazem-se na afluência de portugueses.

Marcelo Martins, diretor da "Onda Pura", confessa que a escola sofreu um impacto económico "muito significativo". A par do investimento obrigatório em desinfetante, e do cuidado com a partilha de material, que passa também por um processo de higienização, - já que nem todos os alunos têm prancha própria ou até o próprio fato -, a escola perdeu cerca de 200 alunos por semana.

As aulas online permitiram manter a formação da maior parte dos clientes e, no caso da "SurfAventura", foram estendidos os prazos para utilizar pacotes de aulas já pagos.

Fatos de quarentena

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Para assegurar a distância de segurança e a desinfeção dos estabelecimentos, além de as aulas serem dadas, no máximo, a cinco alunos em simultâneo, as casas de banho e os balneários das escolas estão interditos.

"Antes, podíamos entregar um fato ligeiramente húmido. Agora todos ficam, pelo menos umas horas, de quarentena", refere Diogo Chorão, professor na "SurfAventura", explicando que o uso de máscara na água não foi adotado pela escola uma vez que "se a máscara estiver húmida até um certo ponto de saturação, respira-se humidade, e isso não é bom".

Está a ser também aplicado o controlo de temperatura aos alunos. Diogo Chorão conta que, caso alguém se apresente com temperatura acima de 37,5 graus, essa pessoa é mandada para casa.

A estratégia passa agora por "aproveitar a oportunidade" da adesão de um público novo, esclarece Marcelo Martins, e tentar "fidelizar esses alunos". Parte da recuperação passará por um aumento de preços, mas o diretor da "Onda Pura" garante: "Aquilo que nos liga a todos é esta experiência tão boa de descer uma onda. De cara tapada ou não".

Bruna viveu onze anos com medo do mar. O pavor desapareceu no ano passado, na primeira aula de surf.

Questionário

Na "Onda Pura" é entregue um questionário aos alunos. O objetivo é saber se estiveram em contacto com algum caso positivo de covid-19 e se sabem se estão infetados.

Época balnear

A lotação da praia de Matosinhos não preocupa as escolas de surf, já que o seu funcionamento é por marcação e há pouca utilização do areal.

Campos de férias

O desaparecimento do turismo e dos campos de férias será um fator relevante para o setor conseguir fazer face ao impacto económico da pandemia nos meses de verão.

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