Covid-19

Número de ventiladores será duplicado, garante governo

Número de ventiladores será duplicado, garante governo

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou esta quinta-feira, durante conferência de imprensa, que haverá "condições de duplicar a capacidade de ventilação".

No início da conferência de imprensa diária de atualização de informação relativa à Covid-19, esta quinta-feira, António Lacerda Sales confirmou os 9034 casos de infeção, mais 783 do que ontem, o que representa uma subida de 9,5%.

O secretário de Estado informou ainda que a taxa de letalidade global é de 2,3% e, acima dos 70 anos, é de 9,2%. Dos 9.034 doentes, 85,4% estão a ser acompanhados no domicílio.

"Sobre a testagem, estamos a articular a disponibilidade de meios de forma a que exista um equilíbrio entre locais com carência e locais com maior disponibilidade", explicou Sales, acrescentado que ainda esta quinta-feira "serão distribuídas seis mil zaragatoas e estão encomendadas mais 400 mil zaragatoas, das quais 80 mil chegam na sexta-feira a Portugal". As restantes têm entrega prevista para as próximas semanas.

Na próxima semana chegam também mais 200 mil testes a Portugal. "Todos os dias, os serviços partilhados do Ministério da Saúde estão a trabalhar para que sejam repostos os kits de testagem e de proteção individual", garantiu.

O secretário de Estado afirmou ainda que existe o esforço no sentido de reforçar a capacidade de ventilação, uma vez que as situações mais graves levam a internamento em cuidados intensivos e muitos destes doentes precisam de ventiladores.

"Entre ofertas, compras e empréstimos, estaremos em condições de duplicar a nossa capacidade de ventilação", garantiu António Lacerda Sales. Foram oferecidos 400 ventiladores invasivos por diversas entidades, dos quais "muitos já chegaram aos hospitais" e outros vão chegar "muito em breve". "Recebemos 140 ventiladores não invasivos a título de empréstimo, a maioria já está distribuída por todo o país", sublinhou.

Além disso, 900 ventiladores foram adquiridos pela administração central, dos quais alguns já estão em Portugal. Chegam este fim de semana mais 144 ventiladores ao país. Vão chegar também 400 mil máscaras FFP2, três milhões de máscaras cirúrgicas e 400 mil testes.

Na noite de quarta-feira, chegaram a Portugal 2,8 milhões de máscaras cirúrgicas e 116 mil máscaras FFP2.

Sobre os testes, António Sales diz que foram efetuados, desde 1 de março até ao momento, cerca de 75 mil testes e dá o exemplo do dia 31 de março, em que foram efetuados "cerca de 6355 testes". Portugal tem uma capacidade de testagem entre os 5 mil e os 6 mil testes, esclareceu.

"É necessário que a medicina intensiva consiga aumentar a sua capacidade"

A conferência de imprensa diária de atualização de informação relativa à infeção pela Covid-19 contou também com a presença da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e o presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI), João Gouveia.

João Gouveia disse que "é necessário que a medicina intensiva consiga aumentar a sua capacidade". "Chegarão esta semana novos ventiladores, que vão ser distribuídos pelos hospitais de acordo com critérios pré-estabelecidos", a ver com a necessidade de abrir novas camas, a sobrecarga que já existe em alguns hospitais e serviços e de acordo com critérios de segurança para que os doentes sejam tratados o melhor possível.

João Gouveia garantiu ainda que todo o material comprado tem garantia e é analisada a hipótese de haver material para arranjo ou consumíveis para que seja "uma compra que sirva o país". Quanto às máscaras, o presidente da SPCI diz ter informação de alguns casos de falta de qualidade, "mas a maior parte das informações é que quando há material, o material cumpre as necessidades que são pedidas".

Não se sabe "com certeza quando será o pico"

Sobre o pico da pandemia, Graça Freitas afirmou que "a curva ainda está a subir, que é relativamente aplanada", mas não se sabe "com certeza quando será o pico"." O que dizem as pessoas que fazem as projeções matemáticas, é que quanto mais lenta for a nossa progressão, mais para a frente irá o pico", acrescentou.

"Estamos a subir e a fazer tudo para subir lentamente. O pico será mais um planalto do que um pico. Só saberemos que atingimos o pico quando começarmos a descer. Esses dados têm de ser muito cautelosos. O que interessa é saber o número de doentes que temos por semana. Para ter capacidade de os tratar da melhor forma possível. Esse é o grande objetivo do serviço e do sistema de saúde. O objetivo é tratar bem todos os doentes", explicou.

A diretora-geral da Saúde esclareceu também quais são os critérios para os testes, "que são bem claros". "Quem tem principal indicação para ser testado são os doentes suspeitos, obviamente, e depois na segunda linha os contactos próximos desses doentes, especialmente se estiverem em lares", explicou. "Para podermos fazer o isolamento daqueles que são positivos".

Há 1124 profissionais de saúde infetados

Há neste momento 1124 profissionais de saúde infetados, 206 médicos, 282 enfermeiros e os restantes 636 são outros profissionais como assistentes técnicos, assistentes operacionais ou técnicos de diagnóstico, informou António Lacerda Sales, acrescentando que na quarta-feira estavam sete médicos e um enfermeiro em cuidados intensivos.

O secretário de Estado da Saúde referiu ainda que muitas indústrias portuguesas têm estado disponíveis para a produção dos materiais necessários, agradecendo essa capacidade de produção nacional. Questionado sobre se o Estado está a aproveitar a capacidade dos hospitais privados, em concreto se estes estão apenas a receber doentes com seguro, António Sales afirmou que a capacidade está a ser gerida "de forma escalada". "Muita da capacidade dos privados está já a ser aproveitada, mas o Serviço Nacional de Saúde tem sido competente na resposta à epidemia".

"Estamos a aproveitar a capacidade pública do SNS, que se encontra felizmente robusto" e que tem apresentado condições de resposta a elevadas necessidades, apontou o secretário de Estado, garantindo também que mesmo a população mais vulnerável, como migrantes ou refugiados, terão direito e acesso a um médico de família. "Não haverá ninguém sem médico de família".

O número de casos de Covid-19 em Portugal subiu esta quinta-feira de 8251 para 9034, um aumento de 9,4% (mais 783 novos infetados). Há 209 vítimas mortais, mais 22 do que ontem.

O Parlamento aprovou, esta quinta-feira, o prolongamento do estado de emergência, com as abstenções do Chega, Joacine Katar Moreira, PCP e PEV. A Iniciativa Liberal votou contra.

Foi com a presença de 149 deputados que a renovação do estado de emergência foi aprovada, com os votos favoráveis de PS, PSD, CDS-PP, BE e PAN, o voto contra da Iniciativa Liberal e a abstenção de PCP, PEV, Chega e deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, que anunciou a apresentação de uma declaração de voto, em tom critico por não ter sido possível pronunciar-se no debate, devido às regras regimentais da Assembleia da República.

Marcelo Rebelo de Sousa propôs ao Parlamento a renovação do estado de emergência em Portugal por novo período de 15 dias. O atual estado de emergência vigora desde 19 de março até às 23.59 horas desta quinta-feira.

As propostas do presidente da República para renovar o estado de emergência referem-se à proteção do emprego, ao controlo de preços, ao apoio a idosos, ao ensino e às prisões.

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