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Nuno Melo avisa que "o CDS não morreu" e "voltará à Assembleia da República"

Nuno Melo avisa que "o CDS não morreu" e "voltará à Assembleia da República"

O 29º Congresso do CDS-PP foi uma prova da vivacidade de um CDS que "não morreu" e "voltará à Assembleia da República" logo que haja eleições, prometeu Nuno Melo, o novo presidente do CDS, no encerramento do evento centrista em Guimarães.

Num discurso de pouco mais de meia hora, o eurodeputado defendeu a NATO, criticou o Governo e pediu para acreditarem no CDS.

Este é "o desafio mais difícil" da vida do CDS, como classificou Nuno Melo, mas o partido vai fazer da oposição "forte e eficaz" a estrada para chegar de novo ao Parlamento. Perante mais de mil congressistas, no pavilhão multiusos de Guimarães, o novo líder avisou que o percurso vai ser "carregado de obstáculos" perante os quais "outros desistiriam".

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Contudo, também assegurou que aqueles que declararam a sentença de morte do partido se precipitaram: "Enquanto estivemos aqui o CDS não acabou, enquanto acreditarmos, enquanto tivermos autarcas, vereadores, membros das assembleias de freguesia, governos regionais e deputados no Parlamento Europeu, que outros que estão no Parlamento não têm, o CDS não acabou".

Para o futuro, o objetivo é afirmar as propostas do CDS-PP por via de uma oposição a quem compete, segundo Melo, ser "tão forte e eficaz fora da Assembleia da República como quando lá estava dentro". O alvo ideológico são "os socialismos" e, em particular, o PS de António Costa a quem teceu fortes críticas.

"O PS dividiu-nos enquanto sociedade"

O Governo de maioria absoluta do PS foi, aliás, o principal alvo de Nuno Melo. Os nomes escolhidos têm "muito de partido e pouco de dimensão de Estado". No organograma, o Ministério do Mar ficou sem a pasta das pescas e "continuará a não existir". E os milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) "foram todos destinados à dimensão pública deste país" porque o Governo "não percebe que são as empresas que geram riqueza e emprego".

À luz de Nuno Melo, o PS "estimulou conflitos, estatizou empresas e apoucou quase tudo o que fosse privado, da Saúde à Educação": "Dividiu-nos enquanto sociedade porque é dessa divisão que vêm os votos que acaba por conquistar".

Ao CDS, enquanto partido que acredita "na complementaridade entre todos os sistemas", resta "ser uma oposição mais eficaz para que amanhã os portugueses tenham uma alternativa". Ou seja, terá de "mostrar-se um partido útil", identificando problemas e apresentando soluções.

Duas foram logo deixadas como desafio a António Costa. A primeira é a redução da carga fiscal sobre os combustíveis. "O primeiro-ministro diz que é assim porque não podemos reduzir as taxas de IVA e tem de pedir a Bruxelas. Então que baixe o ISP até ao montante em que estaria disponível no IVA e depois, quando vier a autorização, equilibra as coisas". Caso contrário estará "a meter nos cofres do Estado quantias absurdas de recursos que fazem falta às famílias e empresas".

A outra proposta é a reversão da decisão de extinguir o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que tem acolhido milhares de refugiados da Ucrânia em Portugal. "O que eu quero pedir ao primeiro-ministro, a partir de Guimarães, é que reverta esta decisão de decisão do SEF que é profundamente injusta", atirou, para depois criticar a alegada intenção do Governo de "persistir nesta extinção só porque uma inexpressiva minoria não esteve à altura das suas responsabilidades".

Do SEF, Nuno Melo passou para o tema que domina a atualidade mundial e ao qual dedicou uma grande parte do discurso. Com a embaixadora da Ucrânia na plateia (e por duas vezes aplaudida de pé), o líder do CDS-PP criticou "os métodos bárbaros e medievais" de Vladimir Putin e defendeu o reforço da NATO: "O CDS foi sempre pela paz, mas nunca alinhou com certos pacifistas que não têm os pés na terra. A Europa percebeu que a nossa fraqueza é um incentivo para a tentação dos ditadores".

"Acreditem comigo"

Com uma moção aprovada por 73% do congresso e uma Comissão Política Nacional escolhida por 75%, não parece ser só Nuno Melo que sai reforçado de Guimarães. O próprio partido, até agora dividido "em quintaizinhos" como Francisco Rodrigues dos Santos apelidou as várias fações, parece agora seguir mais unido em torno do apoio ao novo líder.

As críticas aos denominados "notáveis" foram residuais e chegaram quase todas da ala de Francisco Rodrigues dos Santos, inclusive do próprio. Mas a expressão desta fação ficou visivelmente abalada pelo resultado eleitoral de 30 de janeiro que, agora, Nuno Melo quer reverter. "Seguiremos muito mais fortes, resta acreditar e eu acredito. Acreditem comigo", pediu.

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