Figura internacional da década/Escolha JN

O Papa que não tem papas na língua

O Papa que não tem papas na língua

O cardeal que veio "do fim do Mundo" para mudar a Igreja e abriu as janelas do Vaticano ao vento da renovação e à saída de escândalos como a pedofilia.

Sempre que o Papa Francisco fala, a Igreja estremece. Os mais tradicionalistas porque estão abertamente contra as mudanças e a renovação que Francisco quer e está a fazer na Igreja e os progressistas porque estão sempre à espera que o Papa passe das palavras aos atos e transforme em doutrina, escrita, questões como o acolhimento dos recasados, a ordenação de mulheres, a integração dos divorciados na Igreja e o afastamento dos membros do clero acusados e condenados por abuso sexual de menores, entre outros.

No meio, estão os restantes fieis, para quem o Papa é, sem qualquer margem para dúvida, o sucessor de Pedro e cujas decisões são inquestionáveis. E Jorge Mário Bergoglio, desde 13 de março de 2013 apresentado ao Mundo como Papa Francisco, tem quase sempre algo a dizer sobre assuntos que, durante séculos, pareciam não interessar aos papas.

O pontífice que faz política

Há dias, na tradicional mensagem "Urbi et Orbi" (à Cidade e ao Mundo), na Praça de S. Pedro, o Papa recordou "as numerosas crianças atingidas pela guerra e pelos conflitos no Médio Oriente e em diversos países do Mundo", pedindo à comunidade internacional para garantir a segurança, particularmente em território sírio.

Assumindo-se como chefe de Estado do Vaticano, Francisco faz política internacional, sempre tendo por base a Igreja católica, mas dirigindo mensagens a políticos, reis e "senhores da guerra".

Sobre o Natal, no discurso que fez no Vaticano, classificou-o como sendo "uma farsa. O Mundo continuará a fazer as guerras. Não escolheu o caminho da paz".

Firmeza e coerência talvez sejam as melhores palavras para definir Jorge Mário Bergoglio, nascido em 1936 em Buenos Aires, na Argentina. Tudo é novo no primeiro Papa jesuíta da história: veio "do fim do Mundo", como referiu minutos após a sua escolha pelo Consistório; sucede ao Papa Bento XVI, o primeiro a abdicar, e enfrenta, sempre com um sorriso, a época de águas turbulentas que a igreja católica vive.

O escândalo da pedofilia e dos abusos sexuais, os escândalos financeiros e a renovação de uma instituição que tradicionalmente não é dada a mudanças revelam o caráter do Papa, que já afirmou não ter "medo de errar" e mantém a coerência do seu pensamento, realizando ações concretas como discutir a ordenação de mulheres (para já, apenas na Amazónia) e afastando todos os membros do clero que estejam envolvidos em casos de pedofilia.

Sinal dos tempos, Francisco foi capa das revistas "Time" e "Rolling Stone". Tal como antes de ser eleito Papa, continua a sair do Vaticano sem segurança para fazer coisas banais como comprar óculos e sapatos, falar com os pobres e sem abrigo que vivem entre as igrejas e praças do Vaticano, e tratar diretamente de obras como a construção de balneários e cantinas.

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos

Conseguiu que o cargo de chefe de Estado da maior potência mundial fosse ridicularizado como jamais o tinha sido.

Edward Snowden, Ex-contratado da NSA

Contou ao Mundo como a Agência de Segurança Nacional dos EUA o espia e tornou-se ícone dos denunciantes.

Mario Draghi, Ex-presidente do BCE

O que fez um italiano à frente do Banco Central Europeu (BCE)? Distribuiu milhões e segurou o euro.

Angela Merkel, Chanceler da Alemanha

Chegou ao poder em 2005. Sóbria no vestir e arrojada nas políticas, Merkel tem mantido a influência alemã.

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