Augusto Santos Silva

O portuense que vai ser a segunda figura do Estado

O portuense que vai ser a segunda figura do Estado

Socialista há 32 anos, aquele que deverá tornar-se, na terça-feira, no 15.º presidente da Assembleia da República, veio da extrema-esquerda até se tornar militante do partido através do qual desempenhou, por várias vezes, funções governativas. Natural do Porto, Augusto Santos Silva assumiu a pasta dos Negócios Estrangeiros no Governo agora cessante.

Os votos da bancada do PS são mais do que suficientes para que o cessante ministro dos Negócios Estrangeiros se torne, na terça-feira, no 15º presidente da Assembleia da República, sucedendo ao também socialista Eduardo Ferro Rodrigues.

Augusto Santos Silva tem que ser eleito por maioria absoluta dos deputados em efetividade de funções, ou seja, tem que ter 116 votos favoráveis. E a bancada socialista dispõe de 120 mandatos, não sendo de esperar, por isso, que o Parlamento rejeite o nome indicado pelo reeleito primeiro-ministro e também secretário-geral do PS, António Costa.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros sai, assim, do Governo para ocupar o lugar que chegou a ser ambicionado pela sua colega de bancada, Edite Estrela, e pelo antigo eurodeputado, Francisco Assis.

O professor universitário, natural do Porto, foi secretário de Estado da Administração Educativa (1999-2000), subindo a ministro da Educação e da Cultura entre 2000 e 2002 no segundo Governo do socialista António Guterres. Já nos executivos de José Sócrates (2005/2011), desempenhou as funções de ministro dos Assuntos Parlamentares e da Defesa Nacional.

Licenciado em História e doutorado em sociologia, Santos Silva assumia, desde 2015, a pasta dos Negócios Estrangeiros. Casado, com três filhos e três netos, entrou na política nos princípios dos anos 70, no contexto das lutas estudantis contra a ditadura. Frequentava, então, o ensino secundário. E integrou grupos de inspiração trotskista, como os Comités de Ação Liceal da União Operária Revolucionária, que era uma espécie de setor juvenil da organização da extrema-esquerda que viria a fundir-se na Liga Comunista Internacional, onde militou também o bloquista Francisco Louçã.

Atualmente com 65 anos, Santos Silva foi também dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras do Porto. Antes de aderir ao PS, em 1990, aproximou-se do Movimento de Esquerda Socialista que, no Porto, acolhia figuras como Alberto Martins, Arnaldo Fleming e Jorge Strecht Ribeiro. Mas foi depois de se tornar militante socialista que desempenhou várias funções políticas, como as de deputado (2002-2005 e 2011), além de membro de três governos.

A sua função profissional, porém, é de professor universitário. É professor catedrático na Faculdade de Economia e ocupou diversos cargos de gestão universitária, entre os quais o de presidente do Conselho Científico da Faculdade de Economia e o de pró-reitor da sua Universidade.

Santos Silva, que se vai tornar na segunda figura do Estado ao assumir o cargo de presidente da Assembleia da República, é ainda autor de vários livros no domínio da epistemologia das ciências sociais, da sociologia da cultura e do desenvolvimento, e do pensamento político.

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