Política

"O Presidente da República que se cuide", diz Marques Guedes

"O Presidente da República que se cuide", diz Marques Guedes

O ex-ministro do PSD Luís Marques Guedes aconselhou, esta segunda-feira, o Presidente da República a desconfiar das boas notícias que lhe são "vendidas pelo primeiro-ministro", acusando o Governo liderado por António Costa de "miséria ética".

"O Presidente da República que se cuide", afirma o deputado social-democrata Marques Guedes, num artigo de opinião publicado hoje na 'newsletter' do PSD intitulado "Um Governo sem honra nem palavra".

Numa referência a uma passagem do novo livro do anterior Presidente da República Cavaco Silva já divulgada, - e que será lançado na quinta-feira - Marques Guedes diz que "quando as palavras deixam de se conformar com a realidade dos factos, convém passar a olhar com desconfiança para a 'narrativa' e as 'boas notícias' que lhe são vendidas pelo primeiro-ministro".

"É que os portugueses não merecem ser constantemente tomados por parvos, e o país não se aguenta por muito tempo na beira do precipício", refere o antigo ministro de Pedro Passos Coelho, acrescentando que "este exuberante exemplo de miséria ética" não o surpreende.

"Afinal de contas, este primeiro-ministro e este Governo são legítimos e orgulhosos herdeiros da escola Sócrates", afirma.

Na 'newsletter' do PSD, Marques Guedes refere-se a vários casos e, em concreto, a recentes declarações do primeiro-ministro a propósito da polémica à volta da Caixa Geral de Depósitos e da correspondência trocada entre o Ministério das Finanças e o ex-administrador do banco público, António Domingues.

"Depois da lamentável versão desportiva de que o 'fairplay' é uma treta, temos agora a vergonhosa versão política do primeiro-ministro para quem as questões éticas não passam de tricas", disse.

PUB

Luís Marques Guedes, que já desempenhou as funções de líder parlamentar do PSD, questiona ainda "a cumplicidade" de PCP e BE, que suportam no parlamento o Governo minoritário do PS.

"Na boa doutrina leninista e estalinista os fins justificam os meios, e desde que continue garantido o seu objetivo último de manter fora do poder quem os portugueses escolheram para governar, tudo engolem e tudo correm, solícitos a branquear", disse.

"Ver o PS capturado por esta velha cartilha comunista, isso sim é uma triste novidade", acrescentou.

Ainda sobre o caso da Caixa, Marques Guedes lamenta que o primeiro-ministro tenha dito que não tira conclusões sobre a posição do ministro das Finanças, Mário Centeno, "com base em acordos invocados por terceiros, até que se exiba a prova escrita do compromisso ministerial".

"Quer isto dizer que, pela sua parte, a negociação feita, os acordos firmados e até a aceitação pelo Conselho de Ministros da lei à medida, redigida pelos interessados, que os concretizaram, não provam nada, não valem nada", lamenta.

Para Marques Guedes, "a palavra dada por este governo não é palavra honrada, ou há prova escrita, ou nada feito".

O primeiro-ministro confirmou hoje a confiança em Mário Centeno no exercício das suas funções governativas, após um contacto com o Presidente da República.

"Tendo lido a comunicação do senhor ministro das Finanças e após contacto com Sua Excelência o Presidente da República, entendo confirmar a minha confiança no professor Mário Centeno no exercício das suas funções governativas", refere o primeiro-ministro, num comunicado enviado à comunicação social, pouco depois de terminar uma conferência de imprensa do ministro das Finanças a propósito da polémica à volta da Caixa Geral de Depósitos.

Em conferência de imprensa, o ministro das Finanças tinha afirmado que o seu lugar "está à disposição" desde que assumiu funções e reiterou que o acordo com António Domingues para a liderança da CGD não envolvia a eliminação da entrega das declarações de rendimentos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG