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O que dizem os partidos sobre as novas medidas contra a pandemia

O que dizem os partidos sobre as novas medidas contra a pandemia

O Governo anunciou novas restrições para combater a pandemia de covid-19, atualmente marcada pelo aumento de contágios devido à nova variante ómicron.

PCP diz que restrições não podem ser "resposta automática" a cada agravamento

"As medidas agora anunciadas pelo Governo retomam uma opção por soluções restritivas com fortes prejuízos para os trabalhadores e muitas atividades económicas, que não pode ser a resposta automática para cada situação de mais incidência da covid-19", sustentou o dirigente comunista Bernardino Soares, através de uma declaração divulgada às redações.

O membro do Comité Central do PCP acrescentou que é necessário assegurar os "direitos e remunerações", assim como o "apoio às atividades mais atingidas" pelas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa, depois de uma reunião do Conselho de Ministros.

"Sem prejuízo do acompanhamento da evolução da situação", prosseguiu, o país está a viver uma "situação bastante diferente" da que havia "há um ano, uma vez que a grande maioria da população está vacinada e uma faixa significativa dos grupos de maior risco obteve já a dose de reforço".

BE estranha falta de reforço das equipas de rastreio e vacinação

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Catarina Martins reagiu com uma publicação na rede social Twitter às novas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa.

"Registo que, no encerramento de creches e ATL, o Governo aceitou a sugestão do Bloco de apoio às famílias. Falta saber de apoios relativos a outras medidas", apontou a líder bloquista.

Por outro lado, Catarina Martins disse estranhar que, "reconhecendo a exaustão dos profissionais de saúde, não exista reforço das equipas de rastreio e vacinação".

PAN pede apoios para bares e discotecas

"Compreendemos que há a necessidade da adoção de algumas medidas e a preocupação que desde o primeiro momento transmitimos ao Governo é que existam os correspondentes apoios sociais, em particular para os bares e as discotecas, que vão ter de encerrar, mas também para as famílias, quer no apoio às creches, quer no apoio para ficarem em casa com as crianças sempre que assim seja necessário por força do contexto sanitário", afirmou a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real.

A líder do PAN apelou à "responsabilidade individual" nesta altura festiva do Natal e passagem de ano, defendendo que "as pessoas têm que se testar antes de estarem com os seus contactos familiares mais próximos, evitar contactos que possam ser de risco".

Apesar de aplaudir que Portugal esteja a "apostar, e bem, fortemente na testagem", Inês Sousa Real pediu que seja assegurado o "acesso universal" aos testes e "em todo o território nacional", apontando que a capacidade "não está a ser a mesma em todos os distritos do país".

PSD diz que se está a "correr atrás do prejuízo"

"Tínhamos alertado no final do verão para a necessidade de planear as doses de reforço. Infelizmente, estamos a poucos dias do Natal e esse trabalho ainda não foi feito, agora estamos a correr atrás do prejuízo", afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Ricardo Baptista Leite, em declarações à Lusa.

Para o deputado e médico, "está um pouco nas mãos dos portugueses garantirem" a "melhor forma possível" de responder ao aumento de casos de covid-19 e "outras ameaças no sistema de saúde".

"Quem não está vacinado e não se conseguir vacinar, quem não se conseguir testar (...) a essa falta de planeamento temos de responder tendo cuidado com os contactos e evitando mesmo esses contactos até a situação normalizar", apelou.

"Deve haver clareza em relação às medidas que se tomam e há aqui uma série de incongruências e isto leva a que os próprios cidadãos se sintam confusos depois de dois anos de gestão de uma pandemia", alertou.

CDS considera medidas "exageradas, alarmistas e desproporcionais"

"As medidas são manifestamente exageradas, são alarmistas e desproporcionais. Na verdade, o caminho que o Governo devia seguir era o reforço da terceira dose da vacinação porque já demonstrou que, tendo 90% da população vacinada, mesmo em caso de infeções, não tem uma repercussão preocupante nem no número de mortes, nem internamentos", afirmou o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos.

Rodrigues dos Santos, que falava aos jornalistas no jardim Avelar Brotero, em Lisboa, disse rejeitar "liminarmente este caminho de instabilidade e de alarmismo" que disse estar a "destruir" a economia.

Segundo o líder centrista, "as regras devem obedecer a um princípio de equidade e de adesão à realidade do país", defendendo que o Governo devia insistir no "rastreio" e "não entrar em situações alarmistas que geram o terror, o medo" e conduzem a economia "à miséria e à pobreza".

IL acusa Governo de incompetência

A Iniciativa Liberal (IL) acusou o Governo de incompetência, considerando que "parar a vida de todos não é gerir a pandemia". Em declarações à Lusa, a vogal da Comissão executiva da IL Carla Castro expressou "desagrado e desalento" com as novas restrições anunciadas pelo primeiro-ministro.

"O que assistimos hoje foi a uma conferência de imprensa onde as medidas anunciadas não são condizentes com os dados apresentados. Continuamos a desconhecer quais foram os dados que suportam estas decisões", defendeu a dirigente da IL, que é também a número dois do partido pelo círculo de Lisboa nas legislativas de 30 de janeiro.

Carla Castro salientou que "há centros de vacinação que vão parar e que o ritmo de vacinação é mais baixo do que no verão", referindo que a pressão no Serviço Nacional de Saúde (SNS) "não é alarmante e não se prevê que seja".

"É claramente um atestado de incompetência sobre a forma de o Governo gerir a pandemia", considerou a dirigente, apontando que o primeiro-ministro referiu a necessidade de medidas "enquanto não se reforça a vacinação".

Carla Castro criticou, em especial, o encerramento dos locais onde já eram necessários certificados de vacinação e testes (bares e discotecas), considerando que tal até pode "descredibilizar a vacinação e a testagem".

"Estamos claramente com uma política errática e com informação contraditória. Para a confiança, quer das famílias quer das empresas, é bastante desmotivante", referiu.

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