Crise

O regresso dos dentistas: "A nossa segurança é a segurança do paciente"

O regresso dos dentistas: "A nossa segurança é a segurança do paciente"

Novo protocolo implementado para reforçar segurança nos consultórios. Custos disparam e podem pôr em causa sobrevivência das clínicas, alerta Ordem dos Médicos Dentistas.

Foram seis semanas de paragem quase total e praticamente sem nenhum apoio. Na semana passada, os médicos-dentistas voltaram a dar consultas, mediante um novo protocolo de atendimento para reforçar a saúde de profissionais e de utentes. A segurança clínica está garantida, mas, com as novas regras, os custos dispararam, colocando em causa a saúde financeira dos consultórios.

Só se entra com máscara e ao cruzar a porta da Clínica Dentária Parque Real, em Matosinhos, são logo distribuídas proteções para o calçado e desinfetante para as mãos. Só depois de responder a um questionário sobre eventuais riscos de contágio e de tirar a temperatura é que se acede ao consultório. Sala que, tal como o material usado, foi totalmente esterilizada após a consulta anterior.

"Foi tudo muito bem pensado. O protocolo está bem feito", elogia Flor Reis, higienista da clínica. "A medicina dentária será dos setores mais bem preparados. No nosso caso, a segurança existia antes, existe agora e existirá depois", assegura. Os utentes voltaram sem receio porque "já nos conhecem" e querem vir rapidamente para acabar tratamentos suspensos.

"Para me proteger e cuidar dos meus colaboradores tenho de seguir todo o protocolo. E ao cuidarmos de nós estamos a cuidar do paciente. A nossa segurança é a segurança do paciente", explica Giuseppe Bonetto, diretor clínico.

Custos dispararam

A saúde dos doentes poderá não estar em causa. O mesmo não se poderá dizer da saúde financeira de clínicas e consultórios que, agora, enfrentam despesas muito superiores. Umas das principais mudanças introduzidas foi a utilização do protocolo cirúrgico para qualquer consulta normal. "Só para abrir uma boca e tirar uma radiografia tenho de ter o consultório todo esterilizado e toda a equipa tem de usar equipamentos de proteção individual novos", descreve Giuseppe Bonetto.

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As novas regras tiveram consequências imediatas na gestão da clínica Parque Real, com mais de uma década de vida. Há menos consultas e os custos dispararam. Dos três consultórios do espaço, só se podem usar dois simultaneamente, pois um está sempre em esterilização. "Se antes fazíamos sete ou oito consultas por tarde num consultório, agora fazemos três", contabiliza Flor Reis. Por outro lado, agora, em cada consulta toda a equipa tem de usar equipamento de proteção individual descartável.

Não se pode cobrar tudo

"Os custos dispararam e estão praticamente a ser suportados só pelos donos das clínicas", lamenta Giuseppe. "Claro que não podemos cobrar tudo ao paciente. Não é possível, porque percebemos que a sociedade está com problemas", reconhece o médico-dentista. Mas, sem apoios, muitas clínicas poderão não aguentar muito mais tempo, alerta o profissional.

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