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O vírus não discrimina, nós sim

O vírus não discrimina, nós sim

Já devíamos ter aprendido com outras doenças infeciosas, como a tuberculose e a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana, que a pior atitude é a identificação de culpados e a estigmatização do doente.

Criar culpados e utilizar uma linguagem estigmatizante pode atrasar o diagnóstico e a implementação das medidas de saúde pública - o doente pode evitar ou adiar a procura dos cuidados de saúde e a identificação de contactos pode ser mais difícil pela vergonha ou medo de represálias sociais.

A covid-19 é uma doença altamente contagiosa e frequentemente assintomática. Na grande maioria das situações, o caso infecioso não sabe que está doente nem que está a transmitir a doença aos seus contactos. Por isso, a mensagem tem de se focar na necessidade de toda a gente ter uma perceção do risco das pessoas que a rodeia e tentar em todos os momentos manter-se a si e aos outros em segurança, independentemente da idade, género ou estrato socioeconómico.

Para que isso aconteça, é necessário que a mensagem seja coerente e compreendida por todos e as medidas propostas fáceis de executar. Tem de ser fácil manter a distância física (garantir que há uma boa rede de transportes, promover o desfasamento de horários - para não haver horas de ponta), higienizar as mãos (continuar a disponibilizar desinfetante à entrada e saída de todos os locais públicos).

Também tem de ser fácil estarmos com os nossos amigos. O bom tempo e a saudade convidam para o exterior, os passos têm memória de uma série de locais, bem agradáveis por sinal. Saía-se à noite com uns amigos na expectativa de encontrar outros e acabava-se a noite com um grupo muito maior. Não o podemos fazer agora. Podemos continuar a sair, podemos continuar a reunir, mas sempre em segurança.

Vai ser assim durante bastante tempo. É bom que nos habituemos, inventemos uma nova forma de socialização, uma nova forma de manter e fazer amigos. Não cometamos o erro de culpar estes ou aqueles. O vírus está a circular entre nós e somos nós os transmissores. Todos nós. O vírus não discrimina.

Há que desenvolver estratégias para que a informação chegue a toda a gente, há que ter mensagens coerentes e fáceis de aplicar na nossa rotina. Olhemos à nossa volta: 1,5 metros de distância da outra pessoa, higienizamos as mãos, as superfícies estão higienizadas, respeito a etiqueta respiratória, tenho a máscara colocada de forma correta? Vamos!

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