Clima

Ocupações nas escolas e universidades: "o objetivo é perturbar a normalidade"

Ocupações nas escolas e universidades: "o objetivo é perturbar a normalidade"

Jovens ativistas por justiça climática respondem a apelo internacional e prometem ocupar escolas secundárias e universidades de Lisboa durante o primeiro semestre do atual ano letivo, pelo fim à exploração dos combustíveis fósseis.

No primeiro semestre do ano letivo 2022/2023, estudantes de escolas e universidades de todo o mundo comprometem-se a ocupar os locais de ensino pelo fim da economia fóssil a nível internacional.

O plano de ações, a decorrer até dezembro, arranca com uma manifestação a 23 de setembro pela neutralidade carbónica até 2030, o fim aos incentivos a novos projetos de exploração de gás e a pedir a demissão de António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar.

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O apelo foi lançado através da plataforma "End Fossil Occupy" ("Fim ao fóssil: Ocupa!", em português) que alerta para a necessidade dos governantes internacionais acelerarem os processos para a transição energética. Em Portugal, as ocupações vão ser levadas a cabo pelo núcleo de Lisboa do coletivo Greve Climática Estudantil.

Depois de várias greves e ações organizadas desde 2019, a Greve Climática Estudantil decidiu "escalar também a sua resposta" face ao "escalamento visível da crise climática". A partir de 7 de novembro, avisa, querer começar a ocupar escolas secundárias e universidades de Lisboa, ameaçando continuar a fazê-lo até o governo responder às reivindicações feitas pelo fim dos combustíveis.

Teresa Núncio, estudante do curso de Medicina na Universidade Nova de Lisboa e porta-voz das próximas ações, diz que as reivindicações do coletivo estão em sintonia com o limite de segurança alertado pela comunidade científica de que se tem de limitar o aquecimento global até 1,5ºC, o que, segundo a ativista, "implica, até 2030, Portugal baixar as emissões de forma muito mais eficiente do que estamos a ver". Admite que o principal objetivo das futuras ocupações é mesmo "perturbar a normalidade" e impedir que todos os estudantes estejam a aprender para viverem num futuro que não querem.

Os ativistas exigem que o governo português atinja a neutralidade carbónica, até ao começo da próxima década, e insiste na demissão de António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar, que responsabilizam pelo avanço de "projetos suicidas do governo". Condenam o ministro "por ter incentivado, abertamente, a novos projetos de exploração de combustíveis fósseis", mesmo depois dos apelos dos cientistas para "a urgência de começar a fechar os projetos que já existem", e dos avanços conseguidos em 2019 "pela ação pública e a vontade das pessoas" em ir à rua para protestar. Na convocatória de ação, o coletivo relembra as relações de António Costa Silva com o negócio petrolífero, sendo o antigo presidente do conselho de administração da Partex Oil and Gas.

Acusam ainda o atual governo de lucrar com a falta de inação política, respetivamente em medidas de corte de emissões de gases com efeito de estufa, o que afirmam ser a causa do "fim da civilização como a conhecemos hoje".

"Não vamos baixar os braços, vamos ocupar!"

Teresa Núncio diz que as preparações para as ocupações de escolas secundárias e universidades de Lisboa estão a avançar e que o papel do coletivo de Lisboa é apenas o de "empoderar as pessoas" para conseguirem organizar palestras e debates. "Não aceitamos esta normalidade cega, e, portanto, vamos ocupá-las com o tema do nosso futuro. Estamos a pensar organizar programas para explorarmos e arranjarmos o espaço que faz falta para abordar estes temas e discuti-los", defende.

O incentivo à desobediência civil é feito a qualquer estudante que esteja interessado em organizar e participar nas ocupações. A organização dentro de cada instituição de ensino irá seguir a narrativa reivindicativa do coletivo, o que Teresa diz ser importante para "alargar a rede de ativistas para o movimento estudantil pela transição justa e a justiça climática".

A próxima greve às aulas está marcada para dia 23 de setembro, com marcha às 11 horas a partir da Praça José Fontana, em frente ao Liceu Camões, até ao Ministério da Economia, onde planeiam pintar um mural alusivo à "visão de que é possível destruir a indústria fóssil e seguir um modelo de transição justa em que se põe a vida à frente do lucro", remata Teresa Núncio.

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