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Oliveira e Costa é preso VIP

Oliveira e Costa é preso VIP

Razões de segurança estiveram na base da decisão judicial de enviar Oliveira e Costa para a cadeia da Zona Prisional junto da Polícia Judiciária, um estabelecimento prisional considerado uma verdadeira área VIP no sistema prisional.

Normalmente, os presos preventivos da Comarca de Lisboa vão para o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), mas não foi o caso do antigo administrador do BPN, a quem o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), determinou o envio para a cadeia junto da Judiciária.

O magistrado tomou esta decisão dado o delicado estado de saúde de Oliveira e Costa, que tem graves problemas cardíacos, além do facto de a cadeia em causa estar mais controlada e menos sujeita a incidentes entre reclusos. É que, se bem que indiciado por sete crimes e aparentemente ter lesado o BPN em centenas de milhões de euros, Oliveira e Costa é considerado um "preso especial".

O antigo administrador está, assim, sozinho numa cela, não sendo obrigado a partilhar o espaço com outro recluso, como normalmente poderia vir a suceder no EPL.

E, por outro lado, uma vez que pode receber até cem reclusos e as celas estão disseminadas por um único corredor, é também mais fácil aos guardas prisionais manterem a ordem no estabelecimento, com mais garantias de segurança.

A instalação de Oliveira e Costa nesta cadeia, e dadas as condições locais, vai também facilitar a continuação das investigações, a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em particular porque há ainda muito por esclarecer, em particular a forma como desapareceram os milhões de euros.

Ontem, por exemplo, o semanário "Sol" noticiava que Oliveira e Costa teria desviado 12 milhões de euros para a sua conta pessoal e para uma empresa de que era detentor, a A1, 66 milhões de euros.

Esse dinheiro tinha tido como origem um empréstimo no valor de 90,5 milhões de euros, contraído junto do Banco Insular, de Cabo Verde, por Oliveira e Costa, mas que nunca foi pago, montante que acabou por ser dado como perdido pelo Insular.

A conclusão será da Consultora Mazars ao Banco Insular, através de uma auditoria a pedido da administração do BPN de Miguel Cadilhe, na linha, aliás, da auditoria executada também ao próprio BPN. No negócio do Insular estava, aliás, envolvido o próprio BPN, através de acções encobertas por empresas "off-shore" com sede em Gibraltar e Londres, questões que agora estão a ser investigadas pelo DCIAP.

A polémica e os casos à volta do BPN não param e ontem o vice-governador do Banco de Portugal, António Marta, veio, através do "Expresso", desmentir Dias Loureiro. O JN tinha adiantado na quarta-feira que o antigo ministro do PSD tida ido ao Banco de Portugal dar conta das suas dúvidas quanto ao modelo de gestão do BPN.

António Marta conta uma versão oposta e garante que Dias Loureiro lhe foi perguntar por que razão o Banco de Portugal andava tão "em cima" do BPN. Justificou com uma "gestão pouco transparente". Dias Loureiro terá retorquido que "era tudo boa gente".

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