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Grande Conferência JN

Onésimo Teotónio Almeida: "Basta de auto-flagelação"

Onésimo Teotónio Almeida: "Basta de auto-flagelação"

A capacidade que Portugal tem tido para negociar consensos e evitar extremismos, que têm crescido pelo mundo com ajuda da "selva" propiciada pelo anonimato das redes sociais, é reconhecida internacionalmente. Assente nos valores do modernismo, Portugal tem tudo para acompanhar o Norte da Europa. O seu calcanhar de Aquiles, diz Onésimo Teotónio Almeida, é saber criar riqueza.

No divã em que que o filósofo e ensaísta deitou Portugal, na Grande Conferência JN, sobressai a memória dos Descobrimentos, em que Portugal esteve na "vanguarda da modernidade", mas que nunca contribuíram para a riqueza do país e que hoje estão carregados com conotações negativas, de escravatura e exploração. "Basta de auto-flagelação" e de "complexo de inferioridade", diz.

No último meio século, o país teve um desenvolvimento "impressivo", mas insuficiente para fechar o fosso com uma Europa que continuou a evoluir. Amarrado a "antigas estruturas comportamentais e valores", o país necessita de uma ideologia que motive Portugal e os portugueses a avançar - uma convicção que levou Fernando Pessoa a idealizar um mito, na "incompreendida aventura" do Mensagem.

O filósofo e professor diz não querer ser demasiado otimista, mas assegura que, se amanhã pode ser pior, todas as pessoas têm a responsabilidade de garantir que será "menos mau".