Estupefacientes

ONU alerta para aumento de idosos a consumir droga

ONU alerta para aumento de idosos a consumir droga

O número de idosos que consomem droga e as mortes relacionadas com os consumos de estupefacientes, a partir dos 65 anos, estão a aumentar. O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU), no relatório relativo a 2020 do Órgão Internacional de Fiscalização de Estupefacientes, divulgado esta quinta-feira.

"Em linha com a tendência global de envelhecimento populacional, os dados dos Estados Unidos e de muitas zonas da Europa demonstram que o consumo de droga, as mortes relacionadas e o número de pessoas mais velhas em tratamento por problemas de consumo aumentaram nos últimos anos", lê-se no relatório.

O ICNB, Órgão Internacional de Fiscalização de Estupefacientes, avisa que o aumento do consumo em maiores de 65 anos se regista "em países e territórios de elevado rendimento" e é, em parte, justificado com o "baby-boom" que sucedeu à II Guerra Mundial.

Ou seja, segundo a ONU, entre 1946 e 1964 registou-se um aumento considerável de nascimentos e essa geração "cresceu num período com altos níveis de utilização de drogas ilegais e uso impróprio de medicamentos". A mesma geração, que tem hoje entre 56 e 75 anos, constitui uma boa parte da população idosa dos Estados Unidos e da Europa.

O relatório indica que nos Estados Unidos e na Europa o uso de qualquer droga ilícita por parte de pessoas com 65 anos ou mais era de 2,3% em 2012, ao passo que em 2019 já tinha subido para 7,1%. Ou seja, mais do que triplicou. A canábis e seus derivados são as drogas mais consumidas, seguidas pelos analgésicos sem prescrição, cocaína e alucinogénios.

O ICNB avisa que os países devem adaptar os sistemas de saúde às necessidades dos idosos que consomem estupefacientes, até porque há várias motivações conhecidas para o aumento do consumo e "muitas foram agravadas pela pandemia".

Concretamente, apontam, há consumos motivados pelo receio de violência contra idosos, pelo isolamento da família e morte de amigos, medo da estigmatização, receio de pobreza e de perda de casa. Os investigadores concluíram, ainda, que os confinamentos tiveram um forte impacto no mercado das drogas.

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Subida de preços

Com os confinamentos generalizados e o controlo de fronteiras, a escassez de algumas drogas fizeram com que o preço subisse. A canábis e a heroína foram as drogas que, em termos mundiais, mais inflacionaram.

Escasseiam substitutos

As medidas governamentais levaram a uma disrupção do mercado dos tratamentos de aditos. Por exemplo, muitos consumidores de heroína não tiveram acesso a substitutos opiáceos para terapia, o que levou a síndromes de abstinência.

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