Curso de Medicina na Católica

Opções políticas ameaçam SNS e prestação de cuidados, dizem médicos

Opções políticas ameaçam SNS e prestação de cuidados, dizem médicos

A Plataforma para a Formação Médica, que inclui três estruturas médicas, lamenta a abertura de mais um curso de Medicina no país, considerando que a qualidade da formação ficará "gravemente ameaçada".

É a reação à acreditação por parte da Agência para a Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) do curso de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, o primeiro ministrado por uma universidade privada.

Num comunicado, a plataforma, que engloba a Ordem dos Médicos, o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina, lembra que o ensino médico em Portugal é de reconhecida qualidade, mas "tem vindo a ser sucessiva e constantemente ameaçado" pela redução do financiamento do Ensino Superior, pelo aumento do numerus clausus [limite máximo de estudantes que podem ser aceites] e pela "criação da figura do médico indiferenciado, cada vez em maior número e cuja formação interrompida ameaça a qualidade dos cuidados prestados no sistema de saúde nacional".

A Plataforma diz que não consegue compreender "a elevada pressão política", que terá contribuído para a decisão tomada e prevê que será difícil, no futuro, a reavaliação da acreditação agora concedida, porque "o ensino no próximo ano letivo terá de ser, certamente, adaptado à grave situação de saúde pública que permanece".

Refira-se que a acreditação da A3ES ao novo curso de Medicina é válida por um ano e sujeita à introdução de melhorias, como afirmou ao JN Alberto Amaral, presidente da A3ES.

"Sem posição ideológica"

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As três estruturas que integram a plataforma garantem que "não assumem qualquer posição ideológica no ensino público vs privado" e que respeitam a autonomia da A3ES. Porém, "entendem de forma inequívoca que as opções políticas que têm vindo a ser adotadas ameaçam gravemente a qualidade da formação médica e, consequentemente, os cuidados de saúde prestados à população".

O comunicado realça ainda que o aumento do número de alunos no ensino pré-graduado, sem um planeamento a longo prazo das necessidades de médicos no país, "põe em causa o futuro do Serviço Nacional de Saúde e do seu estatuto como formador de excelência de médicos".

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