Presidenciais

"Operação gigantesca" tem o primeiro teste de fogo

"Operação gigantesca" tem o primeiro teste de fogo

Municípios de Gaia e de Matosinhos dão testemunho de uma logística inédita na história da democracia que está a ser preparada há mais de dois meses.

Com uma logística inédita na história da democracia em Portugal, as eleições presidenciais, que se realizam no próximo dia 24, estão a ser preparadas pelos municípios e pelas freguesias há mais de dois meses, para que tudo decorra dentro da normalidade possível em tempos de pandemia. Hoje estreia-se a votação antecipada em formato alargado e teve uma adesão surpreendente. As presidenciais, garante Marta Vasconcelos, diretora do Gabinete de Apoio aos Órgãos Autárquicos, serão uma "operação gigantesca".

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150 funcionários na máquina eleitoral

Em Gaia, está marcado o primeiro teste para a Escola Secundária Almeida Garrett, que estará de portas abertas, entre as 8 e as 19 horas, aos 8395 eleitores que pediram para exercer o voto antecipado em mobilidade naquele concelho, o quarto do país com mais inscritos.

Quando, na manhã de ontem, o JN a visitou, estava quase tudo pronto para receber os votantes em segurança, apenas se ultimavam pormenores. Já se viam as urnas e frascos de álcool-gel e alguma sinalização, que ainda seria reforçada, para encaminhar as pessoas para cada uma das 17 mesas de voto, distribuídas por três dos quatro pavilhões do edifício - haverá um circuito de entrada e outro de saída para limitar os contactos ao máximo. "Onde poderá haver mais concentração de pessoas é junto às salas. A probabilidade de se encontrarem é reduzida. Só se vierem todas à mesma hora, que é algo que não podemos controlar. Mas acredito que tudo vai correr bem", garantiu Hermenegilda Cunha e Silva, diretora de departamento de Administração Geral da Autarquia.

Por força da elevada adesão, o voto antecipado em mobilidade foi, desta vez, organizado a nível concelhio e não distrital, como nas legislativas de 2019. Em Gaia, a escolha recaiu nesta escola, "por ser a secção de voto mais central", onde, em outras eleições, podiam votar mais de 20 mil eleitores. "E nunca houve grandes aglomerações", sublinha Jorge Pacheco, membro da Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso. A Autarquia e as freguesias estão em permanente contacto desde novembro, "logo que saiu a lei orgânica". Tivemos de encontrar soluções e ter muita gente a trabalhar. Incluímos as escolas e as juntas. Há aqui uma entreajuda muito grande e só assim é que resulta", explica Hermenegilda.

A máquina destas eleições está a exigir um esforço extra ao Poder Local, mais dinheiro e recursos humanos, reconhece Eduardo Vítor Rodrigues. O presidente da Câmara tem cerca de 150 funcionários envolvidos na preparação deste processo. "Foram também necessários mais equipamentos de proteção individual, mais veículos dos vários serviços para a recolha dos votos porta a porta dos eleitores confinados e nos lares de idosos. Está a envolver tudo mais, mas a democracia é isso mesmo e temos de fazer tudo ao nosso alcance para que as coisas corram bem".

Espaços serão limpos de três em três horas

Em Matosinhos, preparam-se as eleições presidenciais desde finais de outubro. É uma "operação gigantesca", assume a diretora do Gabinete de Apoio aos Órgãos Autárquicos, Marta Vasconcelos. Sobretudo por causa da pandemia.

A Autarquia investiu 150 mil euros, para que fosse possível criar mesas de voto com um máximo de 600 eleitores, apesar do Ministério da Administração Interna sugerir mil. Acresce que todas as pessoas que participam no processo eleitoral vão ser testadas à covid-19 e terão todo o tipo de material de proteção. "Todos os espaços vão ser higienizados de três em três horas", promete Marta Vasconcelos, garantindo que também haverá controlo do número de entradas nos dois locais onde vão funcionar as assembleias de voto, além de circuitos de circulação.

Na votação antecipada em mobilidade, inscreveram-se 7593 eleitores e foram criadas duas assembleias de voto nas secundárias Gonçalves Zarco e na Augusto Gomes. No total, serão 15 mesas de voto, quando se estimavam que fossem precisas cinco. Mas o maior desafio vai ser o voto no domicílio, que é uma novidade para todos.

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