Transportes

Operadores privados propõem reforçar carreiras regulares com autocarros turísticos

Operadores privados propõem reforçar carreiras regulares com autocarros turísticos

Os operadores privados estão dispostos a alocar autocarros turísticos, que se encontram parados no parque das empresas, às carreiras regulares e, assim, reforçar a oferta de transporte público aos passageiros, no momento em que milhares de alunos regressam às escolas com o início do ano letivo. A proposta já foi feita ao Governo.

A ANTROP- Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros entende que o recurso às camionetas destinadas às deslocações turísticas, que estão sem serviço devido à pandemia da covid-19, seria uma boa solução para ultrapassar as limitações na lotação dos transportes públicos, sobretudo nas horas de ponta. É que, ainda que seja garantido o serviço a 100% (ter o mesmo número de autocarros e de carreiras do que em igual período do ano passado) como tem exigido o Governo, a capacidade de transporte é muito menor, pois cada veículo apenas pode acolher 67% dos passageiros que transportava no passado. Uma das regras que se mantém em vigor é o limite de dois terços na lotação dos transportes coletivos.

O presidente daquela associação, Luís Cabaço Martins, acredita que o apoio suplementar de 90 milhões de euros às duas áreas metropolitanas, concedido pelo Governo, garantirá o retorno de uma oferta de transporte coletivo da ordem dos 100%, indo ao encontro da pretensão do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. Em entrevista ao podcast do PS, o governante garantiu que, a partir da próxima semana, haverá uma "oferta plena", de 100%, no transporte coletivo, lembrando que o Executivo socialista tem desembolsado muitos milhões para garantir que assim sucederá.

"Se há setor que foi privilegiado no apoio do Estado foi mesmo o do transporte público. Aos bares e aos restaurantes, dissemos que tinham de fechar, mas, às empresas de transporte coletivo, dissemos que não podiam parar. E elas foram apoiadas. O PART [Programa de Apoio à Redução Tarifária] foi pago de acordo com o histórico e não de acordo com o número de passes vendidos. O PROtransP [Programa de Apoio à Densificação e Reforço da Oferta de Transporte Público fora das áreas metropolitanas] foi pago. No Orçamento Suplementar, tivemos de encontrar 94 milhões de euros para ter a certeza de que as empresas privadas de transporte vão poder ter uma oferta de 100%, mesmo sabendo que a procura será inferior", declarou Matos Fernandes.

Se é certo que a procura tem sido muito menor, também se espera que, com o arranque do ano letivo, suba significativamente. E, na prática, o retorno aos 100% de oferta de transporte coletivo não oferecerá a capacidade de transporte do ano passado por causa das limitações à lotação.

"Não é tão simples como o ministro do Ambiente afirma e não está tudo resolvido. As verbas do PART não foram suficientes para cobrir a perda de receitas de bilheteira", o que faz com que os operadores continuem a acumular prejuízos desde março, especifica Luís Cabaço Martins ao JN. "E os 100% correspondem, de facto, a 67% de oferta existente antes da covid-19. Nas áreas metropolitanas, com o regresso às aulas, vamos ter de ultrapassar esses 67%. Uma forma de suprir a falta de viaturas no transporte regular é a alocação de camionetas de turismo. Os desdobramentos seriam garantidos pelos autocarros de turismo que estão praticamente parados", continua.

A proposta, já apresentada ao Governo, implicaria uma contratação adicional de serviço às empresas, embora traga outra vantagem: "Os motoristas de turismo deixariam de estar em lay-off", o que também tem custos para o Estado. "Era uma solução muito vantajosa para todos", remata o responsável da ANTROP.

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No entanto, Luís Cabaço Martins duvida que o retorno a uma oferta de 100% nos transportes coletivos seja possível em todo o país. Os 90 milhões adicionais do Governo serão suficientes para alcançar esse objetivo nas duas áreas metropolitanas, mas não nas restantes regiões do país. Foram atribuídos apenas quatro milhões de euros do Estado para dividir por 21 comunidades intermunicipais (CIM).

"Fora das áreas metropolitanas, vai depender muito de cada câmara e de cada comunidade intermunicipal. Os sinais que nos chegam das CIM e dos municípios é de que o dinheiro não é suficiente".

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