Reações

Ordem dos Farmacêuticos critica falta de "debate profundo" sobre eutanásia

Ordem dos Farmacêuticos critica falta de "debate profundo" sobre eutanásia

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos criticou a "forma precipitada" como a questão da morte medicamente assistida "foi colocada nesta legislatura" e aprovada na generalidade pelo Parlamento "sem haver um debate profundo" na sociedade.

Ana Paula Martins frisou que a Ordem dos Farmacêuticos não tomou posição a favor, nem contra, neste tema, mas que não pode deixar de ter uma "posição desfavorável quanto à forma precipitada como esta matéria foi colocada nesta legislatura, sem haver um debate profundo".

Em declarações à agência Lusa, a bastonária referiu que a Ordem tem "dificuldade em compreender a urgência e a prioridade do debate" sobre a eutanásia que levaram os partidos a aprovar projetos de lei, quando as questões verdadeiramente prioritárias na área da saúde e do Serviço nacional de Saúde (SNS) exigem discussão e "capacidade de resposta" aos problemas que enfrentam.

A sustentabilidade do SNS, a organização dos serviços médicos e o melhoramento das unidades e da rede cuidados paliativos foram assuntos apontados por Ana Paula Martins como temas que a Assembleia da República devia ter escolhido como prioridade e não a questão da morte medicamente assistida, porque as pessoas não vêm isso como uma "primeira necessidade" face aos problemas do SNS.

Quanto à questão merecer ou não a realização de uma consulta popular nacional, a bastonária considerou que o referendo "não é o melhor modelo para que a sociedade tome uma decisão" sobre a matéria, mas no caso particular em que o parlamento entendeu decidir sozinho então teria sido melhor existir um "debate mais intenso", nem que fosse através de referendo.

Essa discussão intensa, em sua opinião, seria fundamental par que houvesse um "debate cultural que se adaptasse à realidade" da sociedade portuguesa. Observou ainda que o debate sobre a eutanásia na Bélgica durou perto de duas décadas antes de a medida ser aprovada.

Os cinco projetos aprovados esta quinta-feira na generalidade, no Parlamento, preveem que só podem pedir a morte medicamente assistida, através de um médico, pessoas maiores de 18 anos, sem problemas ou doenças mentais, em situação de sofrimento e com doença incurável. Propõem também a despenalização de quem pratica a morte assistida, nas condições definidas na lei, garantindo-se a objeção de consciência para os médicos e enfermeiros.

Outras Notícias