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Ordem dos Psicólogos deu parecer negativo a "Supernanny" em 2016

Ordem dos Psicólogos deu parecer negativo a "Supernanny" em 2016

A Ordem dos Psicólogos deu um parecer negativo, em março de 2016, a um pedido da produtora do programa "Supernanny", por considerar que "a intervenção psicológica não deve ser associada a programas onde se exponham publicamente casos particulares".

No parecer de cinco páginas "sobre a alegada prática da psicologia nos media", a Comissão de Ética da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) afirma que "o espaço público mediático não pode ser considerado como um 'setting' adequado para a intervenção psicológica".

O documento de cinco páginas, assinado pelo presidente da Comissão de Ética do OPP, Miguel Ricou, sublinha ainda que "qualquer profissional de psicologia que intervenha neste contexto deve explicitar que não está a levar a cabo qualquer tipo de intervenção psicológica".

Contactado pela agência Lusa, Miguel Ricou afirmou que "não há nenhum modelo de intervenção psicológica que diga que a exposição mediática faz bem às pessoas, pelo contrário".

O que o preocupa em programas como o "Supernanny", que a SIC começou a emitir no domingo e em que uma psicóloga clínica se desloca a casa de uma família para ajudar os pais a controlar a rebeldia dos filhos, é que possa ser confundido com intervenção psicológica.

Por outro lado, o caso suscita igualmente preocupação por "expor mediaticamente situações que não auguram coisas positivas para as crianças", frisou.

"Se nós sabemos que pode haver processos para as crianças em que poderão ser mais estigmatizadas em função destas participações - e não antecipamos que isso seja positivo - fazê-las passar por isso do ponto de vista profissional não faz nenhum sentido", defendeu.

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Para Miguel Ricou, "não existe intervenção psicológica com exposição mediática". "A exposição pública não faz bem às pessoas e o psicólogo não expõe os seus clientes e isso para nós é que é fundamental", defendeu.

"Como é que podemos garantir que a pessoa vai dizer tudo aquilo que é importante que ela diga quando sabe que o que vai dizer vai ser ouvido mediaticamente? Isto pode condicionar claramente aquilo que é a relação entre o psicólogo e o cliente", frisou.

Por outro lado, existe a questão do "próprio consentimento", disse, explicando que normalmente as pessoas estão vulneráveis, a precisar de ajuda, e mais facilmente aceitam participar num modelo com exposição mediática. "Inevitavelmente este consentimento é obtido de uma forma um pouco difícil de garantir que é isso que a pessoa quer", vincou Miguel Ricou.

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) considerou esta segunda-feira "existir um elevado risco" de o programa da SIC "Supernanny" "violar os direitos das crianças", nomeadamente, o direito à reserva da vida privada.

"Numa primeira análise efetuada ao conteúdo do programa", a comissão considera existir um "elevado risco" de este "violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade".

A Lusa contactou a SIC, mas ainda não obteve resposta.

Ordem dos Psicólogos recebeu queixas contra o programa "Supernanny"

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) recebeu queixas sobre o programa da SIC "Supernanny" que irão agora ser analisadas pelo Conselho Jurisdicional da ordem, disse hoje à Lusa uma fonte da entidade.

"Temos recebido queixas que, como sempre, têm sido reencaminhadas para o Conselho Jurisdicional da OPP", que "é um órgão independente, isento e imparcial", adiantou a mesma fonte.

Depois da análise das queixas o Conselho Jurisdicional da OPP poderá abrir ou arquivar o processo relativamente à psicóloga que participa no programa, explicou.

Questionada pela agência Lusa sobre as sanções que a psicóloga poderá incorrer caso o processo não seja arquivado, a fonte disse que poderão ir desde a "advertência", "obrigação de prática profissional supervisionada até 12 meses", "repreensão registada", "suspensão até ao máximo de 24 meses" até à "expulsão".

As denúncias que chegaram à Ordem dos Psicólogos através do e-mail da OPP e do próprio Conselho Jurisdicional referem-se ao programa que começou a ser emitido no domingo pela SIC em que uma psicóloga clínica se desloca a casa de uma família para ajudar os pais a controlar a rebeldia dos filhos.

Questionada pela agência Lusa sobre as sanções que a psicóloga poderá incorrer caso o processo não seja arquivado, a fonte disse que poderão ir desde a "advertência", "obrigação de prática profissional supervisionada até 12 meses", "repreensão registada", "suspensão até ao máximo de 24 meses" até à "expulsão".

ERC aprecia queixas sobre violação dos direitos da criança no novo programa

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou esta segunda-feira ter recebido queixas de cidadãos sobre alegadas violações dos direitos fundamentais das crianças no novo programa da estação televisiva SIC, "Supernanny".

"A ERC confirma a entrada de participações/preocupações subscritas por diferentes cidadãos visando o programa 'Supernanny' emitido na SIC, a 14 de janeiro de 2018 (domingo)", informa o regulador dos media, em comunicado.

Não apontando o número total de queixas, esta entidade indica que "os textos versam essencialmente sobre uma alegada violação de direitos fundamentais e serão oportunamente apreciados pelo Conselho Regulador da ERC".

Presente num total de 15 países, o programa "Supernanny", que estreou no domingo na SIC, retrata casos de crianças indisciplinadas, para as quais uma ama - no formato português, é a psicóloga Teresa Paula Marques - propõe soluções para pais e educadores.

"Criar uma criança é um verdadeiro desafio para os pais (...), mas se os seus filhos lhe tiram o sono, se têm sempre resposta na ponta da língua, se as birras lhe dão vontade de fugir ou se tem em casa adolescentes zangados com o mundo e já não sabe o que fazer, está na altura de aceitar este desafio", refere a estação televisiva, na apresentação do programa na sua página da internet.

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