12-15 anos

Os recados de Marcelo sobre a vacinação das crianças

Os recados de Marcelo sobre a vacinação das crianças

Desde o final de julho, que o Presidente da República tem vindo a defender publicamente a vacinação universal das crianças e adolescentes entre os 12 e os 15 anos de idade, contrário à posição da Direção-Geral da Saúde (DGS), que apenas reviu a norma esta terça-feira.

1º momento

Foi a 31 de julho, em São Paulo, que o chefe de Estado português reagiu à recomendação da DGS, emitida no dia anterior, da administração prioritária de vacinas contra a covid-19 em jovens entre os 12 e os 15 anos com doenças associadas graves.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhava que as autoridades de saúde não proibiram a vacinação contra a covid-19 de crianças saudáveis, considerando que esse espaço continuava "aberto à livre escolha dos pais". "As crianças vacinadas beneficiam de uma prevenção que lhes é positiva, isso não foi vedado, nem proibido pela DGS e está aberto aos pais em termos de escolha para os seus filhos", salientou.

Marcelo Rebelo de Sousa frisava ainda que "pode fazer a diferença", nomeadamente para a frequência de escolas, haver crianças vacinadas "que possam certificar essa vacinação".

A DGS tinha considerado ainda que devia ser dada a possibilidade de vacinação a todas as crianças daquela faixa etária por indicação médica e de acordo com a disponibilidade de vacinas, remetendo uma decisão sobre o acesso universal destas idades para mais tarde, "logo que estejam disponíveis dados adicionais sobre a vacinação destas faixas etárias", dizia a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

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2º momento

No dia seguinte, a 1 de agosto, Marcelo Rebelo de Sousa, salientava ser "fundamental" a iniciativa dos pais para a vacinação de menores entre os 12 e os 15 anos, realçando que o processo devia contar com intervenção médica, conforme vinha a esclarecer a DGS.

"É fundamental que haja da parte dos pais uma iniciativa e depois o acolhimento pelas autoridades de saúde, naturalmente através da intervenção do médico", disse o presidente da República, em Brasília, depois de questionado sobre o esclarecimento feito naquele dia pela DGS. A autoridade de Saúde abria a "possibilidade de acesso à vacinação a qualquer adolescente com 12-15 anos por indicação médica" - não bastando para isso a vontade dos pais como tinha vindo a considerar Marcelo - contudo, tal não veio a ser contemplado na norma.

3º momento

Na passada quinta-feira, o Presidente da República veio afirmar que é preciso "ter paciência" quanto à vacinação das crianças entre os 12 e 15 anos, considerando que "tudo tem o seu tempo". "As dúvidas que existem quanto à vacinação em idades mais baixas não são tanto dúvidas de princípio quanto de momento. Não se discute o princípio, diz-se que 'nesta fase ainda não'", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma intervenção no Palácio de Belém dedicada às medalhas conquistadas pelos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020.

O presidente da República fez uma comparação com a utilização das máscaras para referir que, no início da pandemia, o próprio andou a "pregar no deserto durante umas semanas ou meses acerca da utilidade das máscaras".

Marcelo sublinhou ainda que o "fundamental" é que, "quanto à questão de princípio" da vacinação das crianças, não haja "nenhuma objeção definitiva", e reiterou que é preciso "deixar correr o tempo" para mostrar que, "aquilo que é bom neste momento na Madeira" - onde já está a decorrer a vacinação das crianças entre os 12 e os 15 anos - "venha também a ser considerado bom nos Açores e no continente".

4º momento

Esta segunda-feira, o presidente da República veio apelar aos jovens que sejam vacinados para que o próximo ano letivo decorra com normalidade.

Foi à margem do encerramento da edição 2021 do Festival Internacional de Documentário de Melgaço que Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que se aproxima o início do ano letivo, que deverá decorrer "nas melhores condições de saúde pública, mas também nas melhores condições educativas". Neste contexto, sugeriu uma campanha de testes serológicos entre os professores, para averiguação do grau de imunidade deste grupo, que foi dos primeiros a ser vacinado no país.

Em relação aos jovens de 16 e 17 anos que vão ser vacinados, quis reforçar o apelo do vice-almirante Gouveia e Melo, o coordenador da "task force" que gere o processo de vacinação contra a covid-19. "Eu percebo que o próprio debate, há umas semanas, sobre se devia ou não haver vacinação para os 16 e os 17 anos, tenha levado muitos jovens a dizer que não valia a pena. Eu apelo para que pensem que pode fazer a diferença na sua saúde e no seu próximo ano letivo. Já tivemos dois anos letivos muito complicados", destacou o presidente da República.

Neste mesmo dia, o secretário de Estado adjunto e da Saúde admitiu que a DGS vai decidir "em breve" sobre a vacinação contra a covid-19 de todos os jovens entre os 12 e os 15 anos. Sobre esta matéria, António Lacerda Sales referiu que "todos os dias vão surgindo dados novos" e "há uma adaptação à realidade que tem de ser muito dinâmica".

Esta terça-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou que a DGS reviu os dados sobre a segurança da vacinação contra a covid-19 de jovens entre os 12 e os 15 anos, recomendando a vacinação de todos os jovens nesta faixa etária sem necessidade de indicação médica.

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