António Costa

Os seis desafios de António Costa no PS

Os seis desafios de António Costa no PS

Agora que abandonou a Câmara de Lisboa para se dedicar a tempo inteiro ao PS, o secretário-geral António Costa deixou de ter desculpas para não assumir uma liderança mais presente no palco mediático e afirmar o partido como alternativa à política da maioria PSD/CDS.

Ser um líder mais afirmativo e descolar nas sondagens

Após quatro meses de liderança a meio gás, terá ainda de afirmar-se como secretário-geral do principal partido da Oposição, mostrar que representa uma verdadeira alternativa e mobilizar os socialistas para a campanha das legislativas, quando o PS tarda em descolar nas sondagens.

O início de um novo ciclo eleitoral não poderia ter sido pior, com o resultado desastroso do partido na Madeira. Como afirmou há dias ao JN o seu ex-colega de Governo Teixeira dos Santos, o novo líder do PS "terá ainda de fazer o seu caminho" e revelar o seu "espírito reformista" de forma clara ao eleitorado.

Apresentar propostas concretas

Marcou para 6 de junho a apresentação do programa de Governo que terá como base o cenário macroeconómico que deverá ser conhecido logo depois da Páscoa. O desafio na área económica é conseguir articular a aposta no crescimento e no emprego com a necessidade de manter a disciplina orçamental e o rigor financeiro.

Costa terá a difícil tarefa de demarcar-se da política austeritária aos olhos dos portugueses, ao mesmo tempo que procura manter um discurso moderado.

Resolver o problema da liderança parlamentar

Sem palco na Assembleia da República, ao contrário de Seguro que era deputado, António Costa deixa nas mãos do líder parlamentar a gestão do fim da legislatura e o confronto com o Governo. Daí que as críticas internas feitas a Ferro Rodrigues, a quem alguns socialistas apontam a falta de acutilância, de carisma e de mediatismo, ganhem redobrada importância porque Costa precisa de um líder parlamentar forte que fale por ele no Parlamento.

O secretário-geral aproveitou a abertura das últimas jornadas parlamentares, em Gaia, para discursar, ao contrário do que sempre aconteceu no PS, onde apenas as intervenções de encerramento são reservadas aos líderes do partido.

Gerir divisões na hora de fazer listas

A construção das listas de deputados promete ser uma grande dor de cabeça para António Costa que terá de agradar às diferentes tendências sob pena de estragar a unidade que tem conseguido manter, muitas vezes por um fio, desde o acordo celebrado aquando do último congresso.

E tem que começar também a pensar na composição de um eventual Governo socialista. A ala segurista, nomeadamente os ex-dirigentes Álvaro Beleza e Eurico Brilhante Dias, já reclamou a realização de primárias para a escolha dos deputados. Aliás, um processo interno que já está previsto nos estatutos mas não como regra.

O tabu de Guterres e a dispersão nas presidenciais

Os ex-dirigentes de Seguro também defendem primárias para a escolha do candidato presidencial. Mas, para já, o principal problema do PS chama-se António Guterres, cujo tabu ainda não foi encerrado. E a dispersão à Esquerda ameaça uma candidatura socialista, quando até da área do PS surgem candidatos como o histórico Henrique Neto.

O fantasma de José Sócrates

O PS tem aparentemente a situação controlada, Costa geriu os danos logo aquando do congresso ao separar a política dos assuntos judiciais. Porém, até às eleições podem surgir novidades sobre o caso que continua a pairar sobre o ex-ministro da Administração Interna de Sócrates.

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